Candidata ao Senado afirma que não recebeu dinheiro do partido para a campanha e diz acreditar que a falta de apoio financeiro pode estar relacionada à disputa interna que envolveu sua candidatura
Texto e foto: Marcelo Gladson
Porto Velho, RO - Conhecida internacionalmente pela atuação em defesa dos povos indígenas, do meio ambiente e dos direitos humanos, Neidinha Suruí afirma estar enfrentando a campanha ao Senado praticamente sem recursos financeiros. Segundo a candidata, o PSB não destinou até o momento verba para sua candidatura, situação que ela relaciona à disputa interna que culminou na retirada e posterior recuperação de sua candidatura.
Neidinha afirma que chegou a ter sua candidatura retirada em meio a mudanças promovidas pela direção nacional do partido e que precisou contestar a decisão. Depois de apresentar uma denúncia, segundo seu relato, conseguiu restabelecer a candidatura, mas afirma que permaneceu sem receber recursos para a campanha.
Porto Velho, RO - Conhecida internacionalmente pela atuação em defesa dos povos indígenas, do meio ambiente e dos direitos humanos, Neidinha Suruí afirma estar enfrentando a campanha ao Senado praticamente sem recursos financeiros. Segundo a candidata, o PSB não destinou até o momento verba para sua candidatura, situação que ela relaciona à disputa interna que culminou na retirada e posterior recuperação de sua candidatura.
Neidinha afirma que chegou a ter sua candidatura retirada em meio a mudanças promovidas pela direção nacional do partido e que precisou contestar a decisão. Depois de apresentar uma denúncia, segundo seu relato, conseguiu restabelecer a candidatura, mas afirma que permaneceu sem receber recursos para a campanha.
“Me trouxeram de volta para a candidatura, mas sem recurso. É aquela coisa: ‘Eu vou te trazer de volta, mas vou te matar na unha, vou deixar você sem dinheiro’”, declarou.
Neidinha afirma ainda que encaminhou uma carta à direção nacional cobrando apoio e compara sua situação com a de outros candidatos ao Senado.
“Eu olho lá para os outros, tudo com um milhão, um milhão e meio, os candidatos a Senado, e eu zero centavo”, afirmou.
Campanha feita com voluntários
Sem recursos partidários, Neidinha diz estar recorrendo aos amigos e apoiadores para manter a campanha nas ruas. Segundo ela, parte da estrutura está sendo construída de forma voluntária, com pessoas ajudando na produção de fotografias, vídeos e divulgação.
“Eu estou com um bando de amigos, tudo voluntário. Todo mundo voluntário, tirando foto, gravando, e é assim que eu estou fazendo a campanha”, relatou.
A candidata também chama atenção para os custos de uma campanha ao Senado em Rondônia, especialmente diante das grandes distâncias entre os municípios e da necessidade de chegar às comunidades mais afastadas.
Como exemplo, citou uma possível agenda entre Guajará-Mirim e Nova Mamoré, incluindo comunidades ribeirinhas.
“Se eu quiser ir fazer campanha em Guajará-Mirim, andar toda a área ribeirinha, vou precisar no mínimo uns R$ 50 mil só para fazer ali Nova Mamoré, Guajará-Mirim, subir. É um custo alto”, afirmou.
Uma candidatura marcada por conflito interno
Ao relembrar o episódio que envolveu sua candidatura, Neidinha afirma que não aceitou passivamente a decisão de dirigentes partidários da nacional e decidiu denunciar o que considerou uma injustiça.
“Eu falei: eu vou denunciar. Eu, qualquer injustiça, não me importa. Eu vou denunciar”, declarou.
Segundo a candidata, após a contestação, sua candidatura foi restabelecida. Ela, porém, afirma que o retorno não foi acompanhado pelo mesmo apoio financeiro destinado a outras candidaturas.
Uma voz que ganhou o mundo
Apesar das dificuldades financeiras relatadas, Neidinha afirma que pretende manter uma campanha baseada na mobilização popular e na defesa das causas que marcaram sua trajetória.
Ativista reconhecida internacionalmente, ela construiu sua história na defesa dos povos indígenas, da floresta, dos direitos humanos e de uma economia sustentável.
O sobrenome Suruí veio do casamento com Almir Suruí, liderança do povo Paiter Suruí. Ao lado dele, Neidinha participou de iniciativas relacionadas ao turismo e ao fortalecimento da produção de café indígena.
Sua trajetória também ganhou projeção internacional por meio do documentário “O Território”, que retrata a luta de povos indígenas e a defesa da Amazônia.
Agora, na disputa pelo Senado, Neidinha afirma que pretende transformar sua própria experiência de enfrentamento em uma campanha voltada à parcela da população que, segundo ela, permanece distante das estruturas tradicionais de poder.
“Eu vou abrir uma vaquinha, porque eu não tenho dinheiro”, afirmou.
A campanha, segundo Neidinha, será construída com voluntários, apoiadores e eleitores que acreditam em suas propostas. Para ela, a falta de recursos partidários não significa o fim da disputa, mas o início de uma campanha feita de maneira diferente — com menos estrutura financeira e mais mobilização popular.

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