Em dois vídeos, Naassom de Campos Luna faz acusações graves envolvendo a administração financeira do Sindicato dos Policiais Civis de Rondônia, cita o deputado estadual Ribeiro e os dirigentes da entidade. Vice-presidente também apresenta requerimento formal após afirmar que foi impedido de acessar as dependências do sindicato
Porto Velho, Rondônia – Uma crise interna no Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Rondônia (SINPOL-RO) ganhou novos capítulos após a divulgação de dois vídeos gravados pelo vice-presidente da entidade, Naassom de Campos Luna. Nas gravações, ele faz questionamentos sobre a transparência financeira do sindicato, levanta suspeitas sobre a utilização de recursos da instituição e cobra explicações de antigos e atuais dirigentes.
Entre os nomes mencionados por Luna estão o deputado estadual Ribeiro, apontado por ele como ex-presidente do sindicato, Rodrigo Marinho e o atual presidente, Odair José Ozame.As declarações trazem acusações que precisam ser esclarecidas pelos envolvidos. Até o momento, o conteúdo apresentado pelo vice-presidente representa a versão e os questionamentos feitos por ele, não constituindo, por si só, comprovação de irregularidades.
Vice-presidente afirma que sindicato arrecada cerca de R$ 430 mil por mês
Em um dos vídeos, Naassom de Campos Luna afirma que o SINPOL-RO arrecada aproximadamente R$ 430 mil mensais.
Segundo os números apresentados por ele, cerca de R$ 330 mil seriam provenientes das mensalidades pagas pelos filiados, enquanto aproximadamente R$ 90 mil viriam de repasses relacionados aos planos de saúde dos servidores.O vice-presidente também menciona pagamentos de R$ 10 por pessoa vinculados aos contratos dos planos de saúde, que, segundo sua explicação, representariam mais R$ 18 mil em receitas para o sindicato.
Luna questiona por que esses valores não seriam utilizados para reduzir os custos dos planos de saúde dos policiais civis e cobra a apresentação detalhada das movimentações financeiras da entidade.
Durante a gravação, ele afirma que solicitou documentos, extratos bancários e prestações de contas, mas não teria recebido os materiais necessários para verificar as receitas e despesas do sindicato.
“Se está tudo certo, mostra as contas do sindicato, abra o extrato bancário para qualquer filiado que compareça à sede”, afirma o vice-presidente.Denúncia envolve suposto uso de dinheiro do sindicato em campanha eleitoral
Outro ponto grave apresentado por Naassom diz respeito às eleições internas do SINPOL-RO.
Ele questiona se recursos financeiros da entidade teriam sido utilizados para favorecer uma campanha eleitoral. Segundo o vice-presidente, uma das chapas teria tido acesso à estrutura financeira do sindicato, enquanto a outra não teria contado com as mesmas condições.Luna também relata que, durante uma reunião, teria sido registrada em ata uma declaração atribuída ao atual presidente, Odair José Ozame, sobre a utilização de dinheiro do sindicato para a campanha.
O vice-presidente afirma possuir o áudio original da reunião e diz que pretende encaminhá-lo para perícia, com o objetivo de comprovar sua autenticidade e verificar se houve cortes ou edições.
Ele também menciona a existência de duas testemunhas que, segundo sua versão, teriam acompanhado a reunião e ouvido a declaração.
As afirmações levantam questionamentos sobre a utilização de recursos sindicais e a lisura do processo eleitoral. A eventual comprovação de irregularidades dependerá da análise dos documentos, registros financeiros e demais provas.Luna apresenta seus próprios extratos bancários
Durante os vídeos, o vice-presidente afirma que decidiu tornar públicas suas próprias movimentações financeiras relacionadas ao sindicato.
Segundo ele, disponibilizou extratos bancários referentes ao período de fevereiro de 2026 até a data da gravação, além de prestações de contas referentes aos meses de setembro e outubro.
Naassom afirma que recebeu recursos do SINPOL-RO para atividades da entidade e que todos os valores estariam acompanhados de comprovantes, cupons fiscais e notas fiscais.Ele diz que a divulgação tem como objetivo demonstrar transparência e afastar suspeitas de envolvimento pessoal com eventual utilização de dinheiro sindical em campanhas eleitorais.
Vice-presidente também questiona contrato de advogado e multa de R$ 50 mil
Outro episódio mencionado por Luna envolve um contrato com um advogado.
Segundo o vice-presidente, durante uma reunião, ele teve acesso a documentos referentes ao encerramento de contratos da entidade. Entre eles, estaria um contrato no valor de R$ 14 mil, assinado pelo atual presidente, Odair José Ozame.
Luna afirma que o encerramento desse contrato teria provocado o pagamento de uma multa de aproximadamente R$ 50 mil.
O vice-presidente questiona os motivos da contratação, as condições estabelecidas e a necessidade do pagamento da multa. Os detalhes do contrato e da rescisão precisam ser apresentados para esclarecer as circunstâncias da operação.
Troca de fechaduras impede acesso do vice-presidente à sede, afirma requerimento
A crise também envolve o acesso de integrantes da diretoria às dependências do sindicato.
Em documento datado de 5 de novembro de 2026, Naassom de Campos Luna e o secretário-geral adjunto, Uesclei Oliveira Falcão, encaminharam o Ofício nº 48/2026 à presidência do SINPOL-RO, solicitando a entrega imediata das novas chaves da sede e o restabelecimento do acesso aos espaços da entidade.De acordo com o requerimento, após uma reunião realizada em 3 de novembro, o presidente Odair José Ozame teria determinado a substituição das fechaduras das salas do sindicato, sem comunicação prévia aos dois dirigentes e sem a entrega de cópias das novas chaves.
O documento afirma que a medida impediu o acesso de Naassom e Uesclei às dependências da entidade, inclusive à sala de reuniões, que era utilizada pelo vice-presidente para atender filiados e elaborar documentos.
Os requerentes argumentam que a restrição prejudica o exercício das funções para as quais foram eleitos e empossados em 5 de abril de 2026, para o mandato de 2026 a 2030.
O ofício cita dispositivos do Código Civil, da Constituição Federal e do Estatuto do SINPOL-RO para sustentar o direito de acesso às dependências, aos livros e aos documentos do sindicato.
O que o vice-presidente está exigindo?
No documento, os dirigentes estabelecem prazo máximo de 24 horas, a partir do recebimento do requerimento, para que a presidência:
Entregue cópias das novas chaves da sede e das salas de uso comum;O documento ainda informa que, caso não haja atendimento, os requerentes poderão recorrer aos mecanismos previstos no estatuto, solicitar a convocação de Assembleia Geral Extraordinária e adotar medidas administrativas e judiciais, inclusive com pedido de tutela de urgência.
Restabeleça o livre acesso dos dois dirigentes às dependências do sindicato;
Garanta acesso aos livros, documentos e informações da entidade;
Forneça cópia da ata da reunião realizada em 3 de novembro;
Apresente formalmente os fundamentos que motivaram a troca das fechaduras;
Encaminhe resposta oficial e por escrito ao requerimento.
Vice-presidente cobra explicações de antigos e atuais dirigentes
Nas gravações, Naassom direciona questionamentos ao deputado estadual Ribeiro, citado por ele como ex-presidente do SINPOL-RO, ao ex-presidente Rodrigo Marinho e ao atual presidente, Odair José Ozame.
O principal ponto levantado é a falta de acesso às prestações de contas e aos documentos financeiros da entidade.
O vice-presidente também afirma que existem perseguições e constrangimentos contra filiados que questionam a administração sindical.
Em tom de cobrança, ele defende que os policiais civis não devem aceitar a ausência de transparência e que a categoria precisa acompanhar de perto a aplicação dos recursos arrecadados.
Crise no SINPOL-RO exige esclarecimentos e transparência
As declarações divulgadas por Naassom de Campos Luna colocam em evidência uma disputa interna na direção do SINPOL-RO, envolvendo questionamentos sobre a gestão financeira, contratos, eleições sindicais e o acesso de dirigentes às dependências da entidade.
Por representar uma instituição que defende os direitos dos policiais civis, a transparência administrativa e financeira é fundamental para garantir a confiança dos filiados.
As acusações apresentadas nos vídeos precisam ser apuradas com base em documentos, extratos bancários, contratos, atas e eventuais perícias. Também é importante que os dirigentes citados tenham oportunidade de apresentar suas versões e esclarecimentos sobre os fatos.Afinal, a principal questão que permanece é: onde estão as prestações de contas do SINPOL-RO e por que os documentos solicitados pelo vice-presidente ainda não foram apresentados, segundo sua denúncia?



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