
O presidente Lula (PT) em entrevista à Record em 15 de setembro de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/Campanha
Porto Velho, RO - O julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre as suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes terminou na terça-feira 15 sem entregar à campanha de Lula (PT) a mudança de ambiente que o entorno do presidente esperava. O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a análise e pode manter o caso em aberto por até 90 dias. Para a equipe petista, isso prolonga o assunto que Lula tenta deixar em segundo plano na eleição: a crise no STF e sua associação com Moraes.
O cálculo é particularmente incômodo porque Lula ainda não colocou toda a estrutura de campanha na rua. No primeiro mês oficial da corrida, iniciado em 16 de agosto, o presidente fez apenas 11 viagens com compromissos eleitorais. A agenda de Lula também continua dividida entre compromissos de governo e atividades eleitorais. A estratégia, segundo pessoas próximas à campanha, passa por preservar energia e exposição para a etapa decisiva da disputa, caso o presidente avance ao segundo turno.
O problema é que a eleição não está esperando a campanha começar em ritmo máximo. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 14 de setembro, mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 42% contra 40% de Lula em uma simulação de segundo turno. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos, mas o resultado representou uma mudança em relação ao levantamento anterior, quando Lula aparecia com 42% contra 41% do senador. No primeiro turno, o presidente ainda lidera por 36% a 31%.
O sinal de alerta veio justamente porque o movimento ocorreu quando a campanha petista pretendia reorganizar sua comunicação. A campanha avalia que o modelo adotado até aqui, mais concentrado em formatos tradicionais e na comparação entre os governos Lula e Jair Bolsonaro (PL), não produziu a reação esperada. A equipe passou a discutir uma mudança de abordagem, com maior ênfase na relação direta entre Flávio e o seu pai nos temas da pandemia, fome, desemprego e proteção do meio ambiente.

Campanha digital petista vai reforçar relação direta entre Flávio e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução redes sociais
O julgamento do STF, porém, recoloca o petismo diante de um dilema. A campanha tenta falar sobre outros assuntos, mas reconhece que a crise na Corte ocupou espaço no debate público. Ao mesmo tempo, uma reação muito agressiva de Lula contra Moraes poderia reforçar a tentativa de descolar o presidente do ministro, mas também produzir a impressão de que o candidato está apenas respondendo às pesquisas. Por isso, interlocutores defendem cautela.
A preocupação ganha outra dimensão com a agenda de debates. Lula avalia faltar nos debates previstos para 27 de setembro, na Record, e em 1º de outubro, na Globo. A estratégia é preservar a sua imagem para a reta final, mas isso pode entrar em choque com a necessidade de exposição justamente quando Flávio Bolsonaro vem ocupando mais espaço.
Fonte: Carta Capital

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