Deputado já tem 15 partidos em sua base; PL, dono da maior bancada eleita, ainda não definiu posição e pode perder espaço nas negociações por cargos e comissões


O deputado federal pelo Republicanos da Paraíba, Hugo Motta (ao centro), atual presidente da Câmara. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Porto Velho, RO - O União Brasil oficializou na quarta-feira 4 apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. A decisão amplia a articulação em torno da permanência do atual presidente da Casa e consolida uma aliança que já reúne 15 partidos e 361 dos 513 deputados eleitos para a próxima legislatura, que começa em fevereiro de 2027.

Com a adesão do União Brasil, que elegeu 46 deputados federais, Motta fortalece uma candidatura que já ultrapassou com folga o número mínimo de votos necessário para vencer a disputa em primeiro turno. São necessários 257 votos, equivalentes à maioria absoluta dos integrantes da Câmara.

O anúncio foi feito durante um encontro de congressistas e deputados eleitos do União Brasil, em Brasília, com a presença do presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, e do próprio Motta. O líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA), confirmou o apoio. “O nosso campo político está aqui nas ideias que o Hugo Motta representa”, afirmou o deputado.

Motta conseguiu construir uma aliança com partidos de diferentes campos políticos, incluindo legendas que apoiaram candidaturas adversárias na eleição presidencial. O grupo reúne integrantes do Centrão, partidos de esquerda e siglas que estiveram ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

O tamanho do apoio

Considerando os resultados para a próxima legislatura, a distribuição dos 361 deputados é a seguinte:

  • PT: 70 deputados;
  • União Brasil: 46;
  • PSD: 43;
  • PP: 41;
  • Republicanos: 41;
  • MDB: 36;
  • Podemos: 27;
  • PSB: 15;
  • PCdoB: 11;
  • PSDB: 11;
  • PV: 7;
  • PDT: 6;
  • PRD: 5;
  • Solidariedade: 2;
  • Cidadania: nenhum deputado eleito.
  • PL ainda discute adesão

Apesar da maioria construída por Motta, o PL ainda não definiu se apoiará formalmente a recondução do presidente da Câmara. A legenda elegeu 121 deputados e terá a maior bancada individual da Casa, mas não dispõe de votos suficientes para eleger um presidente sozinha.

A direção do partido adiou a decisão para 11 de novembro. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou na quarta que pretende ouvir tanto os atuais integrantes da bancada quanto os deputados eleitos em outubro antes de definir a posição da legenda.

“Na Câmara dos Deputados, nós ainda faremos na próxima semana, na quarta-feira, uma reunião com toda a bancada para ouvir o sentimento, inclusive, dos novos eleitos, porque a gente não pode tomar uma decisão nessa legislatura que vai impactar no dia 1º de fevereiro, onde nós teremos o acréscimo de 32 novos parlamentares. A gente precisa ouvir todo mundo”, declarou.

A resistência de parte do PL está relacionada principalmente à aproximação de Motta com o governo Lula (PL). O presidente da Câmara apoiou a reeleição do petista e conduziu a aprovação de propostas defendidas pelo governo, como o fim da escala 6×1 e a ampliação do limite de faturamento do MEI.

A indefinição, porém, coloca o PL diante de um dilema. Mesmo sendo a maior bancada da próxima legislatura, o partido corre o risco de ficar de fora das principais negociações sobre a distribuição de espaços de poder na Câmara caso decida enfrentar a candidatura de Motta.

Entre as perdas potenciais estão a participação na Mesa Diretora, a prioridade na escolha das presidências de comissões estratégicas e a influência sobre a distribuição das emendas parlamentares de comissão. A presidência da Comissão de Constituição e Justiça, uma das mais importantes da Casa, é um dos espaços que podem entrar na negociação.

A eleição

A escolha do presidente da Câmara está marcada para 1º de fevereiro de 2027, na sessão de abertura da nova legislatura. A votação será secreta.

O Novo, que elegeu dez deputados, já anunciou que pretende lançar candidatura própria, em oposição à recondução do atual presidente. O candidato deve ser Kim Kataguiri (SP).

Fonte: Carta Capital