Federação se une a partidos de centro e fortalece articulação para a eleição da Presidência da Câmara em fevereiro de 2027; estratégia também busca reduzir o espaço do PL na escolha de cargos e comissões

Porto Velho, RO - A federação formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Verde (PV) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB) anunciou, apoio à reeleição do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) para a Presidência da Câmara dos Deputados. Com a adesão, o parlamentar amplia sua base de apoio e passa a contar com uma articulação que reúne 15 partidos.

A decisão foi anunciada após uma reunião das bancadas e um encontro com Hugo Motta na Câmara. As três siglas passam a integrar o grupo que já reúne PSB, PDT, União Brasil, PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade, PRD e Republicanos.

A eleição para a Presidência da Câmara está prevista para 1º de fevereiro de 2027. O deputado eleito comandará a Casa pelos próximos dois anos.

Apoio busca fortalecer articulação política

O PT já havia apoiado Hugo Motta na eleição anterior e atualmente ocupa a Primeira Secretaria da Mesa Diretora da Câmara. Com a nova decisão, a federação pretende participar da construção de um bloco parlamentar com partidos de centro, ampliando sua influência nas decisões da próxima legislatura.

O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que a aliança busca garantir condições para o avanço das pautas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A articulação também tem como objetivo limitar a participação do Partido Liberal (PL), ligado ao senador Flávio Bolsonaro, na distribuição dos principais cargos da Câmara, incluindo as presidências das comissões permanentes.

PL pode perder espaço na escolha das comissões

A formação de blocos parlamentares influencia diretamente a distribuição de cargos na Mesa Diretora e a escolha das presidências das comissões. Pelo Regimento Interno da Câmara, o tamanho de cada bloco determina a ordem de preferência na indicação dos colegiados.

Projeções feitas por técnicos do Congresso indicam que, caso a articulação de Hugo Motta reúna 17 partidos, o PL poderá ficar apenas com a 16ª preferência na escolha das comissões. Atualmente, o partido busca preservar espaço nos colegiados de maior influência política.

Mesmo com uma posição menos favorável na ordem de escolha, a sigla ainda poderia ficar com sete comissões, conforme a simulação mencionada nas articulações parlamentares.

O PL ainda não definiu oficialmente sua posição sobre a eleição. Inicialmente, o partido demonstrava interesse em disputar o comando da Câmara, em um cenário de fortalecimento político após o resultado das eleições presidenciais.

PSOL e Rede ainda não decidiram se entrarão no bloco

Outro ponto em discussão é a possível participação da federação formada por PSOL e Rede Sustentabilidade. O grupo ainda não formalizou uma posição e pretende reunir suas bancadas para avaliar a proposta.

Entre os fatores que podem influenciar a decisão está a discussão sobre uma eventual mudança no sistema eleitoral brasileiro. Partidos do Centrão articulam a possibilidade de substituir o atual modelo proporcional pelo sistema distrital misto.

O PSOL é contrário à proposta por avaliar que a mudança poderá prejudicar o desempenho eleitoral da legenda em alguns estados.

A composição definitiva dos blocos e a distribuição dos espaços políticos deverão avançar nos próximos meses, antes da eleição da nova Mesa Diretora, marcada para fevereiro de 2027.