
Deputado estadual eleito pelo NOVO com 9.553 votos, vereador afirma que deixou o PL mediante articulação eleitoral, comenta exonerações após o pleito, fala sobre a disputa pela Mesa Diretora e detalha compromissos com Marcos Rogério
Porto Velho, RO - A disposição de contrariar a administração municipal mesmo integrando sua base política, a movimentação partidária que antecedeu a eleição de 2026 e as negociações para a próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa estiveram entre os principais assuntos abordados pelo advogado e deputado estadual eleito Dr. Gilber Mercês (NOVO).
Durante participação no podcast RD Entrevista, apresentado pelo jornalista Vinícius Canova, o vereador de Porto Velho também comentou as exonerações realizadas na Câmara Municipal após o pleito, rejeitou a hipótese de que a medida tenha sido motivada por vingança eleitoral e explicou por que não participa de boicotes contra estabelecimentos comerciais identificados com posições políticas diferentes das suas.
Um dos momentos centrais da entrevista ocorreu quando Gilber revisitou o embate sobre o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Porto Velho, em 2023. Segundo o parlamentar, a discussão envolveu um projeto de sua autoria cuja constitucionalidade era questionada pelo Executivo municipal. Ele afirmou que enfrentou a divergência por meio de argumentos técnicos e mencionou a utilização de um julgamento do ministro Gilmar Mendes para sustentar sua posição.
“Apresentei um projeto de lei que todo mundo dizia que era inconstitucional. O Poder Executivo municipal dizia que era inconstitucional. Eu fui lá e trouxe à baila o julgado de Gilmar Mendes”, declarou, ao explicar como conduziu a discussão na Câmara.
Questionado por Canova sobre sua posição política naquele período, Gilber respondeu que não fazia oposição ao prefeito. Ao contrário, integrava a base de sustentação da administração, circunstância que, segundo ele, não representava compromisso de concordância automática com todas as decisões do governo.
“Não, nunca fui oposição. Sempre fui base. Mas eu sempre fui povo. Eu sempre estive do lado da população”, afirmou. O deputado eleito acrescentou que considera o mandato uma delegação recebida dos eleitores, e não uma prerrogativa concedida pelo chefe do Executivo.
“Quem tem a legitimidade para me dar essa possibilidade de representatividade é a população, não é o prefeito, não é o governador. Então meu compromisso é com quem me colocou lá, quem me outorgou representatividade, que é a população. Se houver conflito de interesse da gestão com a população, eu sou população”, completou.
O mesmo posicionamento, conforme explicou, deverá orientar sua atuação na Assembleia Legislativa. Gilber disse que pretende manter independência na análise das propostas, inclusive quando houver divergências com administrações das quais seja aliado. Ele relacionou essa postura à experiência adquirida nos dois mandatos de vereador, durante os quais ocupou funções na estrutura da Câmara e participou de discussões sobre matérias de competência do Legislativo municipal.
Outro assunto de destaque foi a sucessão no comando da Assembleia Legislativa. Ao ser questionado sobre informações de que já teria decidido apoiar determinado candidato à presidência da Casa, Gilber negou a existência de um compromisso definido. Reconheceu, entretanto, que estão em andamento conversas entre os deputados eleitos e integrantes da base política do governador eleito Marcos Rogério.
“Há diálogos, há conversas. E tenho certeza que nós vamos, na hora certa, tomar decisão”, declarou. O entrevistado mencionou Jean Mendonça entre os nomes que considera qualificados, mas ressaltou que outros parlamentares também reúnem condições para a função. Segundo ele, as tratativas ainda não representam uma definição sobre o futuro comando do Legislativo.
A composição política surgida das eleições também entrou na avaliação. Gilber destacou a quantidade de deputados eleitos pelo PL e por outras legendas que participaram das articulações em torno de Marcos Rogério. Para o parlamentar, a formação desse grupo amplia a necessidade de diálogo na Assembleia. Perguntado se pretende buscar uma posição na Mesa Diretora, respondeu negativamente e afirmou que seu interesse inicial está em contribuir com o trabalho da Casa e demonstrar capacidade de atuação parlamentar.
A eleição de 2026, na qual conquistou a última vaga disponível para deputado estadual, revelou outro aspecto de sua trajetória. Gilber contou que a mudança do PL para o NOVO não ocorreu por acaso. Segundo ele, a transferência foi organizada durante a formação das candidaturas proporcionais e contou com uma carta de anuência da antiga legenda.
O vereador afirmou que, entre os 92 parlamentares municipais do PL em Rondônia mencionados por ele, foi o único autorizado a deixar a sigla para disputar a eleição por outro partido. Ao explicar o processo, relacionou a decisão à participação do NOVO na articulação majoritária de Marcos Rogério e ao planejamento da nominata para deputado estadual.
“Nessa condição de montar a nominata, ele me deu a carta do PL para disputar a eleição no NOVO. Fui para o NOVO e nós fizemos cálculo. Foi tudo muito bem elaborado, tudo muito bem desenhado”, relatou, ao atribuir a mudança a uma estratégia definida antes da votação.
Gilber também comentou os resultados de suas três campanhas eleitorais. Na primeira disputa para vereador, em 2020, recebeu 2.214 votos. Quatro anos depois, foi reeleito com 3.667. Na eleição estadual de 2026, alcançou 9.553 votos, número suficiente para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa. O entrevistado atribuiu o crescimento eleitoral à presença nas ruas, ao contato direto com os moradores e ao trabalho desenvolvido durante os mandatos municipais.
As exonerações em massa realizadas na Câmara de Porto Velho após as eleições motivaram outra discussão. Canova apresentou ao convidado a controvérsia envolvendo os desligamentos e perguntou se uma possível frustração com o resultado eleitoral poderia ter influenciado a decisão administrativa.
Gilber respondeu que não acredita nessa interpretação. Antes, esclareceu que estava licenciado do exercício parlamentar desde agosto, quando decidiu se afastar para participar da campanha, e que os desligamentos ocorreram durante sua ausência.
“Eu te confesso que isso aconteceu no momento em que eu não estava mais na Casa. Eu me afastei da Casa para disputar a eleição”, explicou. Ao desenvolver sua avaliação, destacou as obrigações fiscais da administração legislativa e a necessidade de observar compromissos relacionados à contratação de servidores efetivos.
O deputado eleito lembrou que a Câmara possui um quadro reduzido de funcionários concursados e que o processo de realização de concurso público já vinha sendo discutido desde a gestão anterior, quando Márcio Pacele presidia a instituição e Gilber integrava a Mesa Diretora como secretário. Na entrevista, mencionou ainda o atual presidente, Gedeão Negreiros, ao tratar das responsabilidades administrativas associadas aos desligamentos.
Embora tenha reconhecido que as exonerações atingiram pessoas que não estavam preparadas para perder seus cargos, Gilber afirmou considerar mais provável uma explicação ligada à administração financeira da Câmara do que uma reação ao insucesso eleitoral de aliados.
“Mas eu acredito que, neste caso concreto, tenha sido uma necessidade técnica para que as contas sejam aprovadas”, declarou. Ao responder à possibilidade de a decisão estar relacionada à derrota eleitoral de Gláucia Negreiros, voltou a rejeitar a hipótese de revanchismo. Segundo ele, a necessidade de encerrar o exercício financeiro em condições adequadas pode ter determinado a medida.
O parlamentar também abordou a polarização política e as campanhas de boicote a empresas cujos proprietários ou responsáveis manifestaram apoio a candidatos de esquerda. Questionado sobre listas que circulavam com indicações de estabelecimentos que deveriam ser evitados, Gilber afirmou que não concorda com esse tipo de mobilização.
“Eu não vejo com bons olhos essa lista negra contra determinados restaurantes, porque o determinado restaurante emprega gente, ele paga taxas, ele paga tributo, ele paga alvará”, disse. O entrevistado relacionou sua posição à defesa da livre iniciativa, do comércio e da atividade empresarial, áreas com as quais afirmou manter compromisso político.
Gilber lembrou que presidiu a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara Municipal e sustentou que os estabelecimentos comerciais exercem papel importante na geração de empregos e na arrecadação. Por esse motivo, afirmou não participar de movimentos destinados a prejudicar empresas em razão das preferências eleitorais de seus responsáveis.
“Defendo a iniciativa privada, defendo o livre comércio. Eu defendo o que acredito, é o que acho que faz desenvolver, o que faz evoluir, o que faz nossa economia crescer”, declarou. Para ele, o descontentamento provocado por resultados eleitorais não deve afastar a necessidade de preservar a atividade econômica.
A posição do deputado eleito sobre a eleição presidencial também foi discutida. Gilber confirmou que trabalhou politicamente em favor de Flávio Bolsonaro e lamentou a derrota do candidato. Ao ser perguntado se aceitava resultados contrários à sua preferência, afirmou reconhecer a escolha da população e defendeu a continuidade do trabalho político dentro das regras democráticas.
O vereador avaliou que o resultado das urnas não elimina as convicções dos candidatos e de seus apoiadores. “Eu vou seguir posicionado com o que eu acredito, com o que eu penso, com o que eu creio, com o que eu acho que é o correto, com as minhas bandeiras bem definidas e não vou negociar”, afirmou, ao explicar que pretende preservar suas posições políticas mesmo diante de divergências.
A proximidade com Marcos Rogério foi confirmada na parte final da entrevista. Gilber descreveu o governador eleito como um amigo, destacou sua trajetória como vereador, deputado federal e senador e manifestou confiança na capacidade dele de conduzir a administração estadual.
“O Marcos é um grande amigo extraordinário”, afirmou. Em seguida, citou a experiência política e o desempenho parlamentar de Rogério como razões para acreditar na futura gestão. O deputado eleito também destacou a importância do desenvolvimento econômico para ampliar a capacidade de investimento do Estado.
Na avaliação de Gilber, o fortalecimento da economia é um caminho para aumentar a arrecadação e permitir melhorias em áreas que exigem atenção. Entre os problemas mencionados, citou a situação do Hospital João Paulo II, a necessidade de reforçar o efetivo da segurança pública e a ampliação dos investimentos em infraestrutura e tecnologia.
A possibilidade de levar experiências municipais para o Legislativo estadual também recebeu atenção. Gilber apontou a Farmácia Básica Municipal de Porto Velho como uma das realizações que atribui ao próprio mandato. Segundo ele, a iniciativa permite que pacientes retirem medicamentos gratuitamente mediante apresentação de receita médica, inclusive quando a prescrição é emitida em atendimento particular.
“E detalhe, você não precisa estar com a receita do SUS. Você pode ir para uma consulta numa clínica particular, se você tem plano de saúde, você é atendido pelo médico particular, você sai com sua receita, vai lá na Farmácia Básica Municipal e retira. Esse remédio é de graça”, explicou.
O vereador acrescentou que destinou recursos para aquisição de fraldas geriátricas, destinadas a pessoas que enfrentam dificuldades financeiras para comprar esses produtos. Segundo ele, a medida buscou ampliar o alcance da assistência oferecida pelo município, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade social.
O atendimento às crianças autistas foi outro eixo da conversa. Gilber afirmou ser autor da lei municipal que criou uma carteira de identificação desse público em Porto Velho. Além de facilitar o atendimento prioritário, segundo o entrevistado, o instrumento contribui para identificar as famílias, conhecer suas condições socioeconômicas e localizar regiões com maior demanda por políticas públicas especializadas.
O parlamentar relatou que, quando assumiu o mandato de vereador em 2021, procurou informações sobre a quantidade de crianças autistas atendidas pelo município e não encontrou os dados que considerava necessários para planejar ações. A partir dessa dificuldade, passou a defender a identificação e o mapeamento como instrumentos para orientar investimentos.
Uma das propostas que pretende desenvolver envolve a criação de espaços de lazer adaptados para crianças neurodivergentes. Gilber explicou que a definição dos locais deve considerar a distribuição das famílias e a demanda existente em cada bairro, evitando que equipamentos públicos sejam instalados em regiões sem necessidade correspondente.
Na área educacional, mencionou um projeto de implantação de salas multissensoriais nas escolas públicas municipais. De acordo com o deputado eleito, a intenção é iniciar a aplicação da proposta em Porto Velho e, posteriormente, estudar sua ampliação para outros municípios de Rondônia.
A proteção às mulheres também integrou o retrospecto de sua atuação legislativa. Gilber afirmou ter criado um protocolo que exige de casas noturnas e estabelecimentos semelhantes o acompanhamento de mulheres que percebam uma situação de risco, mesmo quando não tenha ocorrido uma agressão. A assistência, conforme explicou, deve ser prestada até que a mulher consiga deixar o ambiente em segurança.
O vereador recordou ainda a presidência de uma Comissão Parlamentar de Inquérito relacionada aos combustíveis e sua atuação em discussões sobre os limites das atribuições da Câmara. Ele afirmou que considera necessário evitar propostas que ultrapassem as competências do Legislativo, mesmo quando os assuntos tenham apelo popular.
Sobre a chegada à Assembleia, Gilber explicou que ainda não definiu qual será seu primeiro projeto de lei. O deputado eleito afirmou estar estudando o regimento interno da instituição e pretende conhecer as particularidades da tramitação legislativa estadual antes de estabelecer suas primeiras iniciativas.
“Eu já tô devorando o regimento”, declarou, ao comentar a preparação para o novo mandato.
Nascido e criado em Porto Velho, Gilber também revisitou sua trajetória profissional. Relatou ter trabalhado como agente penitenciário, posteriormente na Polícia Civil, e exercido a advocacia e a função de conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia. Apresentou-se como alguém interessado no desenvolvimento econômico do estado e disposto a manter a atuação próxima dos moradores.
Na avaliação sobre a própria carreira, afirmou não conseguir apontar um episódio específico de que tenha se arrependido desde a entrada na política, em 2020. Reconheceu, entretanto, que o exercício de funções públicas envolve erros, acertos e necessidade permanente de aprendizado.
Ao encerrar a participação no RD Entrevista, Gilber agradeceu os votos recebidos e reafirmou que pretende exercer o mandato estadual com responsabilidade. “O meu compromisso é com a população do nosso estado”, declarou. O deputado eleito acrescentou que deseja preservar a postura que afirma ter adotado na Câmara Municipal, com atenção às demandas dos eleitores e participação nas discussões sobre os problemas de Rondônia.
O RD Entrevista é apresentado pelo jornalista Vinícius Canova e produzido nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, conexão direta com a verdade. A direção técnica, pós-produção e motion são de Roberto Lamarão.
Por Redação | Rondônia Dinâmica

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