
A cláusula de barreira não impede que eleitos tomem posse nem determina o fim das legendas. No entanto, restrições podem dificultar a manutenção de estruturas e atividades
Porto Velho, RO - As eleições de 2026 deixaram partidos tradicionais, como o PDT, e legendas criadas mais recentemente, como o Missão, fora da cláusula de barreira, ou cláusula de desempenho. A regra estabelece requisitos mínimos de votação ou de representação na Câmara dos Deputados para que partidos e federações tenham acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão.
Entre as legendas que não alcançaram os critérios estão o PDT, o Avante e o Missão, além das federações Psol/Rede e federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade. As cinco organizações elegeram deputados federais, mas não atingiram os requisitos exigidos pela legislação.
No Ceará, a situação da federação Renovação Solidária tem impacto direto na representação do Estado na Câmara dos Deputados. A aliança elegeu dois parlamentares cearenses: Giordanna Mano (PRD) e Emanuel Acrízio (Solidariedade).
A cláusula de barreira não impede que os deputados eleitos tomem posse nem determina o fim das legendas. No entanto, a restrição aos recursos e à propaganda partidária pode dificultar a manutenção de estruturas nacionais, diretórios estaduais, funcionários e atividades de formação política.
Além disso, os parlamentares eleitos por partidos que não atingiram a cláusula podem trocar de legenda sem perder o mandato, o que abre espaço para negociações sobre fusões, incorporações e novas alianças partidárias.
Quais são os critérios da cláusula de barreira?
Para alcançar a cláusula de barreira nas eleições de 2026, os partidos ou as federações precisavam cumprir pelo menos um de dois requisitos:
Obter pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, com votação mínima de 1,5% em pelo menos nove unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal.
Eleger pelo menos 13 deputados federais, distribuídos por, no mínimo, nove unidades da Federação.
A federação Psol/Rede, por exemplo, obteve 4,89% dos votos válidos nacionais para a Câmara e elegeu 15 deputados federais. Apesar disso, não cumpriu o requisito de distribuição territorial: alcançou o percentual mínimo de votação em apenas oito unidades da Federação.
Já o PDT elegeu seis deputados federais e obteve cerca de 1,6% dos votos válidos nacionais, abaixo do percentual exigido. A legenda também não alcançou a distribuição mínima de votos em nove estados.
O Missão, partido ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), elegeu apenas um deputado federal, Kim Kataguiri, por São Paulo. A legenda também ficou abaixo do percentual mínimo de votação nacional.
Quais partidos não atingiram a cláusula de barreira?
Além das federações Psol/Rede e PRD/Solidariedade, cinco partidos que elegeram representantes na Câmara ou concorreram individualmente ficaram abaixo dos critérios: PDT, Avante e Missão. Outras legendas também não cumpriram a regra e não elegeram deputados federais.
Veja a lista:
- Psol/Rede — federação;
- PRD/Solidariedade — federação;
- PDT;
- Avante;
- Missão;
- Agir;
- Democracia Cristã (DC);
- Democrata;
- Mobiliza;
- Partido Comunista Brasileiro (PCB);
- Partido da Causa Operária (PCO);
- Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB);
- Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU);
- Unidade Popular (UP).
As restrições valem para o funcionamento partidário previsto na legislação. As legendas continuam existindo juridicamente, mas ficam sem acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão enquanto não cumprirem os requisitos aplicáveis.
Quais partidos alcançaram a cláusula de barreira?
Levantamentos divulgados após a eleição apontaram que 14 partidos conseguiram cumprir os requisitos de desempenho em 2026.
Parte deles atingiu a cláusula por meio de federações, que precisam atuar conjuntamente durante o período previsto em lei.
Confira as legendas e federações que alcançaram os critérios:
- PL;
- PT, PCdoB e PV — Federação Brasil da Esperança;
- União Brasil e PP — Federação União Progressista;
- PSD;
- Republicanos;
- MDB;
- Podemos;
- PSB;
- PSDB e Cidadania — federação;
- Novo.
Embora sejam 14 partidos, as federações fazem com que essas legendas atuem em conjunto na Câmara. Assim, o número de organizações partidárias com acesso aos benefícios da cláusula é menor do que o total de siglas que integram os agrupamentos.
O que pode acontecer com as legendas que não atingem a cláusula?
A perda de acesso ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita representa um desafio financeiro e político para as siglas. Sem esses recursos, os partidos podem ter mais dificuldade para manter estruturas permanentes, ampliar sua presença nos estados e investir na formação de novas lideranças.
Uma das alternativas é buscar fusões ou incorporações com outras legendas. Também há a possibilidade dos partidos continuarem existindo com estruturas menores, tentando recuperar o desempenho eleitoral nas próximas eleições.
Para os deputados eleitos, a possibilidade de mudança de partido sem perda do mandato pode acelerar as negociações políticas. O cenário também tende a pressionar legendas com representação parlamentar, mas sem capilaridade nacional suficiente, a rever suas estratégias eleitorais.
A cláusula de barreira integra um processo gradual de endurecimento das regras, iniciado após a reforma eleitoral de 2017. Para as eleições de 2030, os critérios serão novamente elevados, exigindo pelo menos 3% dos votos válidos nacionais, com mínimo de 2% em nove unidades da Federação, ou a eleição de pelo menos 14 deputados federais distribuídos por nove unidades da Federação.
Fonte: O Povo

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