Porto Velho, RO - A saúde voltou a ser apontada por Everaldo Fogaça como sua principal bandeira para um eventual mandato na Assembleia Legislativa de Rondônia. Em entrevista concedida neste domingo (27) ao podcast do programa Informa na Hora, apresentado pelo jornalista Fábio Camilo, o candidato a deputado estadual pelo PSD defendeu uma ampla descentralização da estrutura hospitalar do Estado e afirmou que a construção de um novo Hospital João Paulo II, em Porto Velho, não resolverá sozinha os problemas da saúde pública.
Para Fogaça, Rondônia precisa deixar de concentrar pacientes na capital e investir em hospitais regionais estruturados, com especialistas e capacidade para atender a população próxima de suas cidades de origem.
“Precisamos construir um novo João Paulo de Porto Velho, precisamos. Mas só isso não vai resolver”, afirmou.
Segundo ele, a situação atual faz com que pacientes do interior sejam transportados para Porto Velho, muitas vezes percorrendo centenas de quilômetros em busca de atendimento. Fogaça relacionou esse deslocamento também aos riscos enfrentados nas rodovias.
“Nós precisamos começar a tratar essas pessoas lá no interior”, defendeu.
Ji-Paraná, Ariquemes e Cacoal
Ao detalhar sua proposta, Fogaça citou algumas das principais regiões que, na avaliação dele, precisam receber investimentos na estrutura hospitalar.
Ele destacou que Ji-Paraná, segunda maior cidade de Rondônia, ainda não dispõe de uma estrutura hospitalar geral capaz de atender adequadamente à demanda regional.
“Ji-Paraná, a segunda maior cidade do Estado de Rondônia, não tem hospital”, afirmou.
O candidato também chamou atenção para Ariquemes, que classificou como outra região historicamente prejudicada pela falta de uma estrutura hospitalar compatível com sua importância.
“Ariquemes sofre. Nós temos lá tantos políticos e não conseguimos ter um hospital”, disse.
Fogaça também defendeu a ampliação do Hospital Regional de Cacoal, que, segundo ele, já possui uma estrutura importante, mas enfrenta problemas de superlotação e falta de profissionais.
“Já foi considerado um dos hospitais mais grandes do Brasil, estruturado, mas falta gente. Hoje está superlotado”, afirmou.
Na região da BR-429, ele defendeu a ampliação da estrutura hospitalar de São Francisco do Guaporé, com a inclusão de médicos especialistas.
Para Vilhena, Fogaça defendeu que o Governo de Rondônia assuma de forma efetiva a responsabilidade pela estrutura hospitalar regional.
“É só pedra fundamental”
Durante a entrevista, Fogaça criticou o que classificou como uma repetição histórica de anúncios de obras que não avançam.
“Há muitos anos que a gente vê: é só pedra fundamental, pedra fundamental, e a pedra não sai do papel”, afirmou.
Na avaliação apresentada pelo candidato, o problema da saúde não pode ser enfrentado apenas com transporte de pacientes para Porto Velho. Para ele, é necessário levar a estrutura médica para mais perto de onde as pessoas vivem.
Fogaça chegou a questionar se o envio de ônibus para transportar pacientes poderia acabar sendo politicamente mais conveniente do que a contratação de especialistas e a estruturação dos hospitais regionais.
“Você acha que mandar um ônibus dá mais voto do que mandar um especialista?”, questionou.
Mortes na BR-364
Outro ponto levantado durante a entrevista foi o deslocamento de pacientes pela BR-364.
Fogaça afirmou que mais de dez pessoas teriam morrido nos últimos dois meses enquanto se deslocavam pela rodovia em busca de assistência médica na capital. A afirmação foi apresentada por ele como argumento para a necessidade de descentralizar o atendimento, mas o número citado não foi acompanhado, durante o trecho da entrevista, de uma fonte ou levantamento oficial apresentado ao público.
“Precisamos começar a tratar essas pessoas lá no interior”, reforçou.
“Não é só construir hospital”
Fogaça deixou claro que sua proposta não se limita à construção de novos prédios. Ele defendeu uma rede regionalizada, com profissionais especializados e capacidade para absorver a demanda de cada região.
Na visão apresentada pelo candidato, o modelo deveria incluir uma estrutura fortalecida em Vilhena, a ampliação do hospital de Cacoal, investimentos na região da BR-429, novos hospitais em Ji-Paraná e uma unidade capaz de atender a população de Ariquemes e municípios próximos.
“Um hospital grande em Ji-Paraná para atender a grande Ji-Paraná. Outro em Cacoal para atender a grande Zona da Mata e também, quem sabe, até o Cone Sul. E outro na 429”, exemplificou.
Para ele, a descentralização reduziria a pressão sobre Porto Velho e diminuiria a necessidade de transportar pacientes por longas distâncias.
“O dia que você descentralizar, que você conseguir atender essas pessoas no interior, você vai resolver o problema da saúde”, afirmou.
Experiência política e amadurecimento
A entrevista também abordou a trajetória de Fogaça no jornalismo e na política. O candidato afirmou que considera ter adquirido maior experiência e capacidade de articulação ao longo dos anos.
Ele relembrou sua passagem pelo jornalismo em Cacoal, a criação do Observador e posteriormente sua atuação em Porto Velho, destacando a influência de profissionais como Valdir Costa, Rubens Coutinho e outros jornalistas que trabalharam com ele.
Questionado se hoje se considera mais amadurecido politicamente, respondeu que sim.
“Com certeza”, afirmou.
Ao falar sobre sua experiência, Fogaça disse ainda que aprendeu com as dificuldades enfrentadas ao longo da trajetória empresarial, jornalística e política.
“Eu aprendi com as perseguições contra mim”, declarou.
Agora, na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, ele apresenta a saúde como sua principal bandeira e coloca a descentralização do atendimento como uma das principais propostas para mudar a relação entre os municípios do interior e a rede pública estadual.

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