
O ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil). Foto: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo
Porto Velho, RO - O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo, nesta quinta-feira 17, de um mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação apura a infiltração da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital e aponta vínculos entre investigados, empresas de ônibus e integrantes ou colaboradores da organização criminosa.
A operação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em sete cidades paulistas. Milton Leite não foi encontrado pelos policiais em sua casa durante o cumprimento do mandado. Segundo a investigação, uma funcionária informou que ele havia deixado o imóvel na noite de quarta-feira 16 para um compromisso de campanha. Diante disso, a Polícia Civil passou a considerá-lo foragido.
A assessoria de Leite, porém, nega que ele esteja foragido. Em nota, o ex-vereador afirmou que está viajando e que pretende se apresentar às autoridades. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, disse.
A investigação
Segundo os investigadores, decisões estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. A apuração cita interceptações e elementos de outras investigações sobre o papel decisório do ex-vereador. O pedido que embasou a operação também o aponta como responsável direto pela operação de algumas empresas que, segundo a investigação, seriam controladas pela facção.
A investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC. O caso é um desdobramento da Operação Decurio, de agosto de 2024, e da Operação Contaminatio, realizada em abril de 2026. A apuração também investiga a chamada “Sintonia dos Gravatas”, núcleo formado por advogados que, segundo a polícia, atuaria em benefício da organização criminosa.
Quem é Milton Leite
Homônimo de um famoso narrador esportivo, Milton Leite, de 70 anos, ficou 27 anos na Câmara Municipal de São Paulo, entre 1997 e 2024, e presidiu a Casa quatro vezes. Começou na política em 1990 e construiu sua principal base eleitoral na Zona Sul da capital, especialmente no bairro do Grajaú. Em 2020, foi o segundo vereador mais votado da cidade, com 132.716 votos. Não concorreu nas eleições de 2024 e não concorre neste ano.
Mesmo depois de deixar o Legislativo, Leite continuou com atuação política nos bastidores. Em 2025, passou a presidir o diretório estadual do União Brasil. Em julho de 2026, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
É, portanto, uma força do Centrão paulistano, com influência construída ao longo de décadas na Câmara e na política municipal. Leite também indicou Ricardo Teixeira, do União Brasil, para disputar a presidência da Câmara em 2025. Teixeira acabou eleito para o cargo.
Fora da política institucional, Leite mantém vínculos com o setor de ônibus e com o carnaval paulistano.
Fonte: Carta Capital

0 Comentários