Grupo de 17 produtores de Mato Grosso, Goiás e São Paulo, que cultiva mais de 147 mil hectares, participou de imersão em propriedades rurais, universidade e estruturas da Valley nos Estados Unidos

Porto Velho, RO - Um grupo de 17 produtores rurais de Mato Grosso, Goiás e São Paulo participou de uma imersão técnica nos Estados Unidos para conhecer tecnologias, modelos de produção e práticas relacionadas à agricultura irrigada. Juntos, os participantes cultivam mais de 147 mil hectares de soja, milho, feijão e algodão. Desse total, apenas 17% são irrigados, indicando um importante potencial de expansão da irrigação nas propriedades participantes.

Promovida pela Valley, líder global em irrigação de precisão, a programação passou por Nebraska e Flórida e combinou visitas a propriedades rurais, à fábrica da Valley, a uma revenda da marca, à Universidade de Nebraska e à fábrica da Senninger, responsável pela produção de aspersores utilizados nos equipamentos.

Para André Rezende, da Fazenda Limeira, em São João da Paraúna (GO), a experiência foi também uma oportunidade de identificar tecnologias que podem contribuir para os próximos projetos da propriedade. “Foi a primeira vez que participei de um tour técnico.

Já imaginava que seria bom, mas me surpreendeu. Foi uma experiência incrível pela troca de conhecimento, pelas visitas e pela oportunidade de conhecer a fábrica. O Corner, por exemplo, foi uma tecnologia que chamou muito a minha atenção e que eu nem conhecia”, afirma.

O Corner é uma solução que permite ampliar a cobertura do pivô e alcançar áreas que ficariam fora do raio convencional do equipamento. Além dele, outro destaque foi o VRI (Variable Rate Irrigation), que possibilita variar a aplicação de água em diferentes pontos da lavoura, de acordo com as características e necessidades da área Nas propriedades visitadas, os produtores brasileiros conheceram áreas que utilizam irrigação há décadas e observaram essas tecnologias incorporadas à rotina da agricultura americana.

Para Saulo Gare Ginak, que atua como gerente de produto e líder de marketing para a Valley na América Latina, um dos principais objetivos da iniciativa foi aproximar os clientes não apenas das tecnologias disponíveis atualmente, mas também do processo de inovação da empresa.

“A visita reforçou um dos pilares da Valley: desenvolver tecnologias que gerem valor real para o produtor. Mais do que apresentar inovações, o encontro permitiu que os clientes contribuíssem diretamente com a visão de quem utiliza nossas soluções diariamente, ajudando a orientar o desenvolvimento de futuros produtos e tecnologias”, afirma.

Da fábrica ao desenvolvimento de novos produtos

Na fábrica da Valley, em Nebraska, o grupo acompanhou diferentes etapas do processo de fabricação dos equipamentos, incluindo preparação de chapas, soldagem, montagem e controle de qualidade.
A agenda avançou também para uma discussão sobre o futuro da irrigação.

Em encontro com o time global de desenvolvimento de produtos, os brasileiros conheceram projetos e tendências em avaliação pela companhia e foram convidados a apresentar necessidades específicas do mercado nacional, desafios encontrados nas propriedades e tecnologias que gostariam de ver incorporadas às próximas gerações de equipamentos.

Para José Oscar, da revenda Central Irrigação, que acompanhou o grupo, esse intercâmbio mostrou também o espaço que o Brasil ainda possui para ampliar a agricultura irrigada. “A equipe de produtos quis ouvir quais são as principais necessidades do mercado brasileiro, nossas demandas e sugestões e o que gostaríamos de ver nos próximos anos.

Foi uma troca muito importante”, relata, acrescentando que conhecer a realidade americana também permitiu aos produtores comparar dois mercados com características bastante diferentes. “Nebraska tem uma presença muito forte da irrigação e uma estrutura consolidada há décadas. Ao mesmo tempo, quando olhamos para o Brasil, temos disponibilidade de recursos naturais, extensão territorial e a possibilidade de produzir até três safras por ano em determinadas áreas irrigadas. Isso mostra o potencial que ainda temos para crescer e ser cada vez mais competitivos”, acrescenta.

Conhecimento além da indústria

A imersão incluiu ainda uma agenda acadêmica na Universidade de Nebraska, onde o grupo participou de uma aula sobre irrigação e conheceu pesquisas voltadas à avaliação de sistemas irrigados, produtividade e novas tecnologias aplicadas à produção agrícola.

Os participantes também conheceram uma revenda Valley para entender a dinâmica comercial e de atendimento ao produtor no mercado americano. Na Flórida, visitaram a fábrica da Senninger, onde acompanharam a produção dos aspersores utilizados nos sistemas de irrigação.

Para Saulo, conectar diferentes elos — produtor, indústria, pesquisa e desenvolvimento — faz parte da estratégia de manter o cliente no centro do processo de inovação. “Ouvir quem está no campo é fundamental para desenvolver soluções que respondam a problemas reais. Essa proximidade nos permite transformar experiências e necessidades dos produtores em informação para orientar tecnologia, eficiência e evolução da agricultura irrigada”, conclui.