Neidinha Suruí já tinha registrado candidatura ao Senado, mas direção nacional interveio

A ativista Neidinha Suruí, em coquetel em homenagem a sua filha Txai - Ronny Santos - 23.jun.25/Folhapress

Porto Velho, RO - A Executiva Nacional do PSB decidiu barrar as candidaturas majoritárias em Rondônia após fechar uma aliança com o PT no estado.

Entre as vetadas está a líder indigenista e ativista Neidinha Suruí, que disputaria o Senado.

Ao Painel, Neidinha, que é mãe da também ativista Txai Suruí, colunista da Folha, disse que nunca foi procurada pelo presidente da legenda, João Campos, e acusa a direção nacional de violência de gênero.

"As mulheres sofrem violência política diariamente, mas ficam caladas e, por isso, nada muda. Eu não ficarei calada", disse.

A decisão do partido foi tomada no último dia 13. No documento, o PSB determina a dissolução do diretório estadual do partido e anula a convenção feita no dia 20 de julho que lançou Neidinha ao Senado e Samuel Costa ao governo do estado.

A indigenista diz que foi barrada porque não quis apoiar o candidato do PT ao governo do estado, Expedito Netto. Quando deputado federal, Netto votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT).

"Não subo no palanque dele. Já apoiou vários projetos contra o meio ambiente e não irei contra o que defendo. Eles fazem uma pataquada sem sentido", afirmou ao Painel.

O PSB alega que os órgãos estaduais estavam obrigados a submeter as candidaturas previamente à direção nacional e que a legenda já tinha decidido se coligar com o PT no estado. O documento acusa o diretório de "afronta às diretrizes do partido".

Mas integrantes do diretório destituído afirmam que a obrigação era apenas em caso de coligação, o que não aconteceu. Além disso, dizem que nunca foram comunicados sobre qualquer tipo de ação e foram pegos de surpresa com a intervenção decretada neste mês.

O PSB decidiu indicar Rosângela Cipriano ao Senado na chapa coligada com o PT, que já tem dois nomes: Luciana Oliveira (PT) e Aires Mota (PV). O nome dela, no entanto, ainda não foi registrado no TSE.

Fonte: Folha de São Paulo