O argentino é investigado como mandante de um ataque a tiros contra uma ex-companheira


Policiais prendem argentino Fernando Cerimedo, em Santa Cruz, Bolívia, em 21 de agosto de 2026. Foto: Rodrigo Urzagasti/AFP

Porto Velho, RO - A Justiça da Bolívia decretou, na sexta-feira 21, seis meses de prisão preventiva contra o argentino Fernando Cerimedo, assessor do presidente boliviano, Rodrigo Paz, e investigado como mandante de um ataque a tiros contra a advogada Nadia Beller, sua ex-companheira.

Aos 45 anos, Cerimedo é uma figura de destaque em conspirações da extrema-direita latino-americana. Em novembro de 2022, por exemplo, realizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais com uma avalanche de informações falsas sobre as urnas eletrônicas no Brasil, o que serviu de combustível para o discurso golpista de Jair Bolsonaro (PL) e de seus seguidores após a derrota para Lula (PT).

A interferência no pleito brasileiro não cessou. Em julho deste ano, o argentino participou de uma live com o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a fim de requentar alegações infundadas contra o sistema eleitoral brasileiro.

Em 2023, em mais um exemplo de sua influência na ultradireita da região, o argentino também coordenou a estratégia digital da campanha de Javier Milei à Casa Rosada.

Na madrugada da última terça-feira 18, Cerimedo foi detido após desembarcar no aeroporto de Santa Cruz. Na noite anterior, Nadia Beller havia sofrido um atentado: levou três tiros disparados por assassinos de aluguel.

A advogada, que continua internada, acusou Cerimedo de planejar sua morte. O Ministério Público abriu uma investigação contra ele por tentativa de feminicídio.

A emissora boliviana DTV divulgou supostos resultados da perícia no telefone de Cerimedo. Em um chat, uma pessoa teria informado a ele na noite do crime: “Irmão, neste momento atiraram nela”.

Fonte: Carta Capital