
Decisão contra uma das principais defensoras da Amazônia gera reação de mulheres, ambientalistas e setores da sociedade, medida provoca manifestações de solidariedade à defensora da Amazônia
Assista o vídeo de Neidinha Suruí repudiando a tentativa de golpe democrático em Rondônia:
https://www.instagram.com/reel/DcFQGJQtIfD/?igsh=MWR2NjYybjB4ZW1nNw==
Porto Velho, RO - A candidatura de Neidinha Suruí ao Senado por Rondônia foi suspensa por decisão atribuída à direção nacional do PSB, presidida pelo ex prefeito do Recife, João Campos, que também é candidato ao Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. A medida provocou forte reação entre setores ligados à defesa dos direitos das mulheres, do meio ambiente, dos povos indígenas e dos direitos humanos.
A decisão passou a ser alvo de críticas de diferentes segmentos da sociedade, incluindo representantes da classe artística, ambientalistas, integrantes do meio acadêmico e mulheres de diferentes partidos políticos, que manifestaram solidariedade à candidata rondoniense.
Defensora histórica da Amazônia, Neidinha Suruí tem atuação reconhecida na defesa da sustentabilidade, dos direitos humanos, dos povos indígenas e da proteção das mulheres. Ela é mãe da ativista indígena Txai Suruí, reconhecida internacionalmente por sua atuação em defesa do meio ambiente e por sua participação em debates e encontros internacionais relacionados às mudanças climáticas.
Para os apoiadores de Neidinha, a decisão da direção nacional do PSB representa uma interferência que ameaça a participação política feminina e a autonomia da candidatura construída em Rondônia. As críticas classificam a medida como arbitrária e unilateral, além de apontarem o que consideram violência política e de gênero.
A repercussão ganhou dimensão nacional justamente por envolver uma mulher com trajetória consolidada na defesa da Amazônia e dos direitos humanos. Nas manifestações de solidariedade, mulheres de diferentes espectros políticos destacaram que divergências partidárias ou ideológicas não deveriam se sobrepor ao respeito à participação feminina na política.
João Campos, atual presidente nacional do PSB, disputa em Pernambuco um cenário eleitoral que também envolve Raquel Lyra, do PSD. A crise provocada pela decisão em Rondônia poderá ampliar o debate sobre a condução da legenda e sobre a participação das mulheres nas estruturas partidárias.
Críticos da medida também fazem referência à história política de Eduardo Campos, pai de João Campos e ex-governador de Pernambuco, associando sua trajetória à defesa da democracia e da participação política. Para os adversários da decisão, a suspensão da candidatura de Neidinha Suruí contrasta com esse legado.
“É triste ver uma atitude de João Campos agir dessa forma com uma mulher”, afirmam os defensores de Neidinha, que prometem manter a mobilização em defesa da candidatura e da democracia interna do partido.
A reação ganhou força nas redes sociais e entre lideranças políticas de Rondônia. A palavra de ordem entre os apoiadores é de resistência: “Não vamos desistir do Brasil, não desistiremos de Rondônia e muito menos desistiremos das mulheres e das pessoas de bem.”
O episódio coloca novamente em evidência o debate sobre violência política de gênero, democracia partidária e participação feminina nas eleições, especialmente em um momento em que candidaturas de mulheres disputam espaço nas estruturas de poder.
Para os aliados de Neidinha Suruí, a decisão da direção nacional do PSB não encerra a disputa. Ao contrário, abre uma nova frente de mobilização política e jurídica em defesa da candidatura e do direito dos eleitores rondonienses de escolherem seus representantes nas urnas.

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