
Indígena foi encontrado morto em 2022 e, desde então, a área era alvo de disputa judicial, reivindicada por fazendeiros. Terras possuem cerca de 8 mil hectares e se espalha por quatro municípios de Rondônia, na transição entre Amazônia e Cerrado
Porto Velho, RO - A terra onde o "Índio do Buraco" viveu isolado em Rondônia foi transformada em parque nacional por meio de um decreto publicado na quinta-feira 11.
Com cerca de 8 mil hectares distribuídos por 4 municípios, a nova área protegida permite desapropriar propriedades privadas que eram reivindicadas por fazendeiros.
O objetivo da unidade é preservar a memória do indígena e proteger uma área de transição entre a Amazônia e o Cerrado, rica em biodiversidade.
Ao longo de 26 anos de monitoramento, a Funai localizou 53 habitações construídas pelo indígena, todas contendo um buraco escavado em seu interior.
Avistado pela primeira vez em 1996, o último sobrevivente de seu povo resistiu ao contato com o homem branco até morrer, em agosto de 2022.
As terras onde o indígena conhecido como “Índio Tanaru” ou “Índio do Buraco”, último sobrevivente de seu povo que viveu sozinho e isolado há quase 30 anos em Rondônia, foi transformada em parque estadual através de um decreto publicado no Diário Oficial da União na quinta-feira (11).
Até então, a terra era alvo de disputa judicial, reivindicada por fazendeiros. O decreto permite que as propriedades privadas dentro dos limites do parque sejam desapropriadas e prevê o uso das Forças Armadas, se necessário.
As terras possuem cerca de 8 mil hectares e se espalha por quatro municípios de Rondônia: Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste. A área passa a se chamar Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru.
Um dos objetivos da criação da unidade é preservar a memória do “Índio do Buraco” e de seu povo, considerado extinto, protegendo os sítios arqueológicos e áreas de relevância histórica.
Desde que o indígena foi visto pela primeira vez, mais de 50 incursões de monitoramento foram realizadas pela Funai na floresta. Segundo o órgão, ao longo de 26 anos, 53 habitações do "Índio Tanaru" foram encontradas e todas seguiam o mesmo padrão arquitetônico: uma única porta de entrada/saída e sempre com um buraco no interior. Daí que surgiu seu nome.
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Buraco em Tapiri — Foto: Reprodução/Txai Surui
O documento de criação também cita a relevância de proteger o meio ambiente. O parque fica em uma área de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, com presença de espécies da fauna ameaçadas de extinção, como o macaco-aranha, o macaco-barrigudo e a onça-pintada.
Além disso, o local possui zonas de recarga do Aquífero Parecis, uma das maiores reservas de água subterrânea do Brasil.
O decreto estabelece ainda a criação de uma zona de amortecimento, uma área ao redor de um parque com regras especiais para proteger a unidade de conservação de impactos externos, principalmente da ação humana.
A gestão ficará sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Quem era o Índio do Buraco?
Em junho de 1996, o “Índio do Buraco”, também conhecido como Tanaru, foi visto pela primeira vez por homens brancos em Rondônia. Vinte e seis anos depois daquele "contato", o indígena foi encontrado morto em seu território, em agosto de 2022.
O homem, conhecido por viver sozinho e isolado na densa floresta Amazônica, morreu como o último de seu povo, sem que sua etnia e sua língua fossem descobertas. O indígena resistiu ao contato com o homem branco até sua morte.
O 'Índio do Buraco', apesar de ter vivido isolado por mais de 30 anos, nem sempre esteve só. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai) os últimos membros do seu povo foram mortos em 1995.
Ele recebeu o nome "Índio do Buraco" porque fazia escavações em suas palhoças. Ninguém chegou a descobrir o motivo e real utilidade delas.
Fonte: G1


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