
O senador Jaques Wagner (PT-BA) e o presidente Lula (PT). Foto: Ricardo Stuckert/PR
Porto Velho, RO - A situação do senador Jaques Wagner (PT-BA) dominou a reunião da coordenação da campanha à reeleição do presidente Lula (PT), realizada na segunda-feira 22, em Brasília. O grupo discutiu os impactos da investigação sobre o caso Banco Master na estratégia eleitoral do partido na Bahia e defendeu que uma definição sobre a permanência do congressista na liderança do governo no Senado saia nos próximos dias, antes das comemorações do 2 de Julho.
A expectativa é que o assunto seja tratado diretamente por Lula e Wagner em uma reunião prevista para esta quarta-feira 24. A avaliação entre auxiliares do governo é que uma eventual saída do senador da liderança ajudaria a separar o desgaste provocado pela investigação da atuação do Palácio do Planalto, sem afastá-lo da campanha eleitoral.
Apesar da pressão para que deixe o posto, o PT trabalha para preservar Jaques Wagner no principal palanque do partido na Bahia. O senador é candidato à reeleição e integra o núcleo político que sustenta a hegemonia petista no estado ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, que disputará um novo mandato, e do ex-governador e ex-ministro Rui Costa, também pré-candidato ao Senado. Lula pretende participar dos atos em Salvador para reforçar o apoio às candidaturas do grupo.
A preocupação da direção da campanha é evitar que a crise envolvendo Wagner atinja justamente o estado considerado o maior reduto eleitoral do presidente. A Bahia foi decisiva para a vitória de Lula em 2022 e continua a ser tratada como estratégica para a tentativa de reeleição. Nos bastidores, dirigentes avaliam que prolongar a indefinição sobre a liderança do governo apenas amplia o desgaste e cria ruído em um dos principais palanques da campanha.
Participaram da reunião da coordenação da campanha de Lula na sede nacional do PT: Edinho Silva, Gilberto Carvalho, Mônica Valente, José Sérgio Gabrielli, José de Filippi e Luna Zaratini. Segundo relatos, houve consenso de que cabe a Lula e a Wagner definir o futuro da liderança, mas também o entendimento de que a decisão não deve se arrastar diante da proximidade dos eventos na Bahia.
Em 2 de julho, Lula participará, pelo quarto ano consecutivo, das celebrações da independência do estado, data que marca a expulsão definitiva das tropas portuguesas de Salvador, em 1823, consolidando a Independência do Brasil. Além do tradicional desfile cívico pelas ruas da capital baiana, o presidente deverá participar de agendas institucionais, como a reinauguração do Teatro Castro Alves e outros anúncios do governo federal.
Nos últimos anos, o 2 de Julho deixou de ser apenas uma celebração histórica para se transformar em um dos principais atos políticos do presidente fora de Brasília. O evento reúne as principais lideranças do PT na Bahia e é considerado uma vitrine da força eleitoral do partido no Nordeste.
Fonte: Carta Capital


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