
Acusado de tentativa de feminicídio, Igor Eduardo Pereira Cabral responderá perante o Tribunal do Júri por agressão que deixou a vítima com múltiplas fraturas no rosto e sequelas neurológicas permanentes - © Reprodução
Porto Velho, RO - A Justiça do Rio Grande do Norte decidiu levar a júri popular o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral, de 29 anos, acusado de tentar matar a então namorada, Juliana Soares, de 35 anos, durante uma agressão registrada por câmeras de segurança em um elevador de um condomínio em Natal.
A decisão foi proferida nesta terça-feira (23) pela 1ª Vara Criminal da capital potiguar. O réu responderá por tentativa de feminicídio qualificado perante o Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
O caso ganhou repercussão nacional em julho de 2025 após a divulgação das imagens que mostram Igor desferindo dezenas de socos contra a vítima dentro do elevador. Segundo a investigação, Juliana foi atingida repetidamente na cabeça e no rosto, inclusive quando já estava caída e sem condições de se defender.
As agressões causaram graves ferimentos. A vítima sofreu múltiplas fraturas faciais e precisou passar por uma cirurgia de reconstrução que durou mais de nove horas. De acordo com a decisão judicial, foram implantadas sete placas de titânio e 31 parafusos durante o procedimento. Juliana também ficou com uma sequela neurológica permanente, caracterizada por paralisia facial periférica total do lado direito.
Igor foi preso em flagrante logo após o ataque. Conforme as investigações, moradores do condomínio conseguiram contê-lo até a chegada da Polícia Militar, acionada pelo porteiro que acompanhava a agressão pelas câmeras de monitoramento. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva.
Ao analisar o caso, a magistrada entendeu que existem provas suficientes da materialidade e indícios consistentes de autoria para que o réu seja submetido ao julgamento popular. A decisão também rejeitou a tese da defesa de que a vítima não correu risco imediato de morte.
Segundo a juíza, a caracterização da tentativa de feminicídio não depende exclusivamente da constatação clínica de perigo de vida, mas também da intensidade da violência empregada e do potencial letal da conduta. A magistrada destacou ainda que os golpes foram concentrados em regiões vitais do corpo e que o acusado teria utilizado a estrutura do elevador para aumentar a força dos impactos.
Ao manter a prisão preventiva, a Justiça ressaltou a extrema violência da agressão e apontou risco de reincidência criminal caso o acusado fosse colocado em liberdade.
Com a decisão de pronúncia, o processo avança para a fase de julgamento pelo Tribunal do Júri. A data da sessão ainda não foi definida.
Fonte: Notícias ao Minuto


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