
Complexo Memorial Rondon, localizado em Porto Velho, às margens do Rio Madeira, foi recentemente revitalizado com investimentos do governo de Rondônia
Porto Velho, RO - O turismo histórico-cultural é um dos pontos fortes da Região Madeira-Mamoré, desde os trilhos da ferrovia ao traçado das linhas telegráficas. Em meio a tantas memórias, essa parte de Rondônia possui encantos como o atrativo pôr do sol visto da orla no Rio Madeira, que tem vista para a floresta à tradição da festa dos bois Malhadinho e Flor do Campo no Duelo da Fronteira.
É a terra do açaí, do tacacá e do tambaqui. Nos rostos dos que vivem aqui está a história de quem passou ou visitou a região. São descendentes de barbadianos, nordestinos, bolivianos e de tantas outras nacionalidades que, junto com indígenas e ribeirinhos moldaram a identidade do seu povo.
Foi na Região da Madeira-Mamoré que nasceram os primeiros municípios de Rondônia: Porto Velho (a Capital) e Guajará-Mirim (na fronteira com a Bolívia) que hoje esbanjam e respiram histórias e memórias. Também fazem parte dela, os municípios de Nova Mamoré, Candeias do Jamari e Itapuã do Oeste, com os quais compartilham heranças históricas. Nelas encontram-se monumentos históricos como o complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), que justifica o nome dado à região e memoriais que valorizam a memória dos pioneiros e ajudam a contar a trajetória do estado.
COMPLEXO MEMORIAL RONDON

Postos Telegráficos retratados em maquetes
Um exemplo é o Complexo Memorial Rondon, localizado na Estrada do Santo Antônio, nº 4.863, Bairro Militar, em Porto Velho, às margens do Rio Madeira. O local foi recentemente revitalizado, com investimento do governo de Rondônia, que valoriza a história do local. O novo Memorial possui câmeras de monitoramento 24 horas em todo o seu entorno. Com a estrutura renovada, desde pintura, manutenção até troca total do telhado, o local que é mantido sob a coordenação da Superintendência Estadual de Turismo (Setur), foi reaberto para visitações em março.
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o espaço foi criado preservar a identidade e o legado do povo rondoniense e impulsionar o turismo histórico. “Rondônia está localizada onde foram criados postos telegráficos da expedição Rondon, que, com o passar do tempo, se transformaram em cidades; por isso, preservar essa história é valorizar a trajetória do nosso estado”, evidenciou.
O titular da Setur, Gilvan Pereira, destacou que o memorial é um convite para que pessoas de todo o mundo conheçam a história e a cultura de Rondônia. ‘‘O Memorial valoriza o legado de um dos maiores nomes da história da integração no Brasil, conecta o passado com o presente da Amazônia e de Rondônia, é um cartão-postal do turismo do estado, com a riqueza de conhecimentos e memórias.’’

Artefatos usados nas expedições
ACERVO
No Memorial Rondon há uma exposição permanente com o tema: “Rondon, o Marechal da Paz”, que oferece aos visitantes mais de 400 itens históricos, dentre fotos, documentos, obras literárias, peças e utensílios, assim como réplicas de objetos usados pelo Marechal, filme sobre a saga de Rondon, além de fazer uma imersão na história com acesso a um antigo telégrafo e painéis com curiosidades da região, desde a sua colonização.
O memorial está localizado ao lado da igrejinha de Santo Antônio, onde funcionou uma Estação Telegráfica, a de Santo Antônio do Rio Madeira. A extinta cidade, que outrora desfrutava de prestígio e movimento, hoje repousa no silêncio profundo da memória, como um eco distante de um tempo que não volta mais. Foi neste lugar que a comissão Rondon cumpriu a missão de ligar Cuiabá a então cidade de Santo Antônio do Madeira.
MAPA DO TRAÇADO DA LINHA TELEGRÁFICA

A linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antônio do Madeira, a extinta cidade, localizada onde hoje é Porto Velho
- Entre os atrativos do Memorial, destacam-se:Os postos telegráficos retratados em maquetes;
- Uma réplica em tamanho real de uma estação telegráfica;
- Espaço dedicado a retratar a relação de Rondon com povos originários (indígenas);
- Artefatos como bússolas usados nas expedições;
- Mapas desenhados na época com traçado das linhas telegráficas;
- Páginas de registros diários sobre as dificuldades da missão em meio à selva;
- Painéis bilíngues para contemplar turistas brasileiros e estrangeiros.
Saiba mais neste link: https://www.youtube.com/watch?v=RyxUI6DPvig

Historiador, dr. Lourismar Barroso, autor dos livros “Rondon: uma vida dedicada ao Brasil” e “Rondon: fé de ofício”
COMO TUDO COMEÇOU
De acordo com o historiador, dr. Lourismar Barroso, autor dos livros “Rondon: uma vida dedicada ao Brasil” e “Rondon: fé de ofício”, no início do século XX, no Norte do país, uma expedição liderada por Cândido Mariano da Silva Rondon teve a missão de tornar essa parte do Brasil comunicável com o restante do país, de forma mais rápida, por meio da linha telegráfica. O telégrafo era a melhor forma de comunicação da época, principalmente para locais distantes. Era um tipo de WhatsApp de antigamente.
O trabalho foi considerado incrível, mas nada fácil, principalmente pelos desafios da Amazônia, bioma ao qual pertence o estado de Rondônia, tendo que abrir caminho na mata para cravar postes e construções de estações telegráficas. Os postos telegráficos foram transformados em polos de desenvolvimento, que viraram cidades.
“O que Rondon fez por Rondônia, tirando-a do isolamento, foi tão especial que o próprio antropólogo Edgar Roquette Pinto, em 1916, sugeriu chamar de Terras da Rondônia. Além disso, o contato amigável com os povos originários da região rendeu a ele o título de “Marechal da Paz”, explicou o historiador.

No entorno do Memorial há uma maloca indígena, valorizando os povos amazônicos
VISITAS
O Complexo Memorial Rondon foi inaugurado em 2015 e é um dos pontos turísticos mais atrativos do estado, e já recebeu mais de 130 mil visitantes de vários cantos do Brasil e do mundo, segundo a Setur. O acesso é totalmente gratuito e sem necessidade de agendar.
As visitas são guiadas por soldados da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, com funcionamento de terça-feira a domingo, incluindo feriados, das 10h às 16h, com acesso pela Estrada de Santo Antônio.
No entorno do Memorial, há outros atrativos, como uma maloca indígena que representa as habitações dos povos amazônicos; a locomotiva Marechal Rondon; a igrejinha de Santo Antônio de 1913; e um mirante para o Rio Madeira, com vistas para uma das hidrelétricas da cidade, considerada uma das maiores geradoras de energia do Brasil.
OUTROS ATRATIVOS HISTÓRICOS DA REGIÃO
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
Considerada a maior saga ferroviária do mundo, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) foi inaugurada em 1º de agosto de 1912. O complexo revitalizado é o coração turístico de Porto Velho, unindo o passado com uma estrutura moderna. O visitante pode contemplar o museu ferroviário e desfrutar de um deck panorâmico com uma das vistas mais privilegiadas do Rio Madeira, especialmente durante o pôr do sol, com espaços para artesanatos e gastronomia.


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