
Com o advento da IA, muitas empresas passaram a polir seus discursos para parecerem cada vez mais perfeitas. O resultado é o que chamo de “discurso tofu”: tenta agradar a todos, não desagrada a maioria, mas é completamente insosso.
Porto Velho, RO - O consumidor atual não quer mais uma marca que promete muito e conversa pouco. É aqui que entra a necessidade de autenticidade — e a ousadia de assumir riscos, abraçar vulnerabilidades e transformar a imperfeição em diferencial, quando necessário. No jogo do engajamento real, uma cicatriz pode gerar mais confiança do que um filtro de rede social. Quem assume que não é perfeito e decide jogar limpo conquista um respeito que o falso “perfeitinho” jamais terá.
O pânico em torno da Inteligência Artificial ignora um fato: ela é a maior ferramenta de nivelamento de inteligência da história, mas não é brilhante. A IA é fantástica para processar padrões, mas, ao elevar a barra da incompetência, entrega um novo óbvio com embalagem sofisticada.
Brilhantes serão os humanos que souberem extrair o melhor da tecnologia e, principalmente, compreender suas limitações. A IA não tem alma. Não arrisca, não sente o cheiro do improvável, nem carrega o incômodo visceral que, às vezes, nos faz ignorar dados para apostar em uma ideia inédita. A tecnologia tem inteligência; o brilho nos olhos continua sendo monopólio humano.
Para abandonar o “blá-blá-blá” corporativo, não basta tecnologia ou segurança de dados. Precisamos de profissionais de marketing com coragem para assumir riscos, resiliência para sustentar revezes e sensibilidade para criar conexões que nenhum algoritmo consegue simular.
É hora de parar de tratar o marketing como uma ferramenta de fórmulas prontas e voltar a encará-lo como o que realmente é: a arte de gerar valor real para pessoas reais.
Seus valores gerando valor.
No fim, o sucesso deixa de ser uma meta obsessiva e passa a ser consequência de quem escolhe viver e se comunicar com mais consciência, autenticidade e ousadia.
*Alain S. Levi é fundador e CEO da Motivare e autor do livro Marketing sem blá blá blá: inspirações para a transformação cultural na era do propósito


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