Ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes e senador Rodrigo Pacheco estavam presentes na conversa


Lula e Davi Alcolumbre se encontram no Palácio do Planalto na cerimônia de posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães - EVARISTO SA/AFP

Porto Velho, RO - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se reuniu na semana passada com o advogado-geral da União, Jorge Messias, que foi indicado por Lula em novembro para o STF (Supremo Tribunal Federal).

A assessoria de Alcolumbre nega.

O encontro, secreto, foi mediado por amigos comuns e ocorreu em Brasília. Além dos dois, estavam presentes os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

A reunião é um marco na tentativa de Messias de ser aprovado pelo Senado para o cargo. Até então, Alcolumbre vinha se recusando inclusive a recebê-lo para conversar.

Por outros lado, ela não é garantia de que o nome dele será aprovado. Até agora, 43 senadores se comprometeram a votar favoravelmente, segundo aliados de Messias. A margem é considerada apertada, já que são necessários 41 votos para a aprovação.

O presidente do Senado manifesta resistência à indicação de Lula porque ficou contrariado com a forma como o presidente conduziu o assunto.

Alcolumbre tinha um candidato, o senador Rodrigo Pacheco, para o cargo. O nome contava com o endosso também de outros senadores e de ministros do STF.

Lula chegou a conversar com o presidente do Senado e com magistrados sobre a possibilidade de indicar Pacheco —mas acabou escolhendo Messias. E tornou o fato público sem qualquer aviso a Alcolumbre, que se sentiu atropelado.

Na conversa com Messias, o presidente do Senado não se comprometeu a fazer campanha para ele nem a liberar os votos de parlamentares aliados a seu favor.

Disse, no entanto, que garantiria ao advogado-geral da União um ambiente tranquilo para a sabatina, marcada para a quarta (29), e a posterior votação de seu nome pelo plenário do Senado.

Messias, por sua vez, definiu a situação com Alcolumbre como "desencontros", e sinalizou entender as razões do descontentamento do senador.

Como mostrou a coluna, o presidente do Senado manteve até agora a queda de braço com Lula e não liberou seu grupo mais próximo de parlamentares a declararem voto em Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Fonte: Folha de São Paulo