Governador abandona candidatura diante da ameaça de Moro no Paraná e da falta de unidade no partido, que já sinaliza apoio a Lula em parte do País


O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD). Foto: Governo do Estado do Paraná

Porto Velho, RO - A decisão de Ratinho Jr. de desistir da pré-candidatura à Presidência da República foi resultado de um cálculo que envolveu riscos locais e fragilidades nacionais. Apontado como o nome mais forte do PSD para a disputa, o governador do Paraná optou por deixar o projeto de lado ao avaliar que a corrida ao Planalto poderia comprometer seu principal ativo político: o controle do estado.

O fator decisivo foi a movimentação no cenário paranaense. A filiação do senador Sergio Moro ao PL de Flávio Bolsonaro nesta terça-feira 24 alterou o equilíbrio da disputa local e elevou o risco para o grupo de Ratinho. Sem poder disputar a reeleição, o governador passou a ver como prioridade garantir um sucessor e evitar que o governo estadual caísse nas mãos de adversários.

A leitura entre aliados era de que insistir na candidatura presidencial significaria se afastar da articulação direta no estado e abrir espaço para uma derrota em casa. Diante disso, Ratinho preferiu abandonar uma disputa nacional incerta e concentrar esforços na manutenção de sua base política no Paraná.

O cenário interno do PSD também pesou na decisão. Apesar do apoio explícito de Gilberto Kassab, o partido não demonstrava unidade em torno de uma candidatura própria. Diretórios relevantes, principalmente no Nordeste, já indicavam alinhamento com o presidente Lula (PT), o que enfraquecia a viabilidade de um projeto nacional competitivo.

Essa divisão reforçou a percepção de que a candidatura nasceria fragilizada. Sem coesão partidária e inserido em um ambiente de “forte polarização”, Ratinho teria dificuldade para se consolidar como alternativa viável.

Fonte: Carta Capital