Ao menos 18 ministros vão deixar o governo para concorrer a cargos nas eleições de outubro; o limite para desincompatibilização é até 4 de abril


O presidente Lula (PT) durante Reunião Ministerial, realizada no Palácio do Planalto. Créditos: Ricardo Stuckert / PR

Porto Velho, RO - O presidente Lula (PT) realizou, nesta terça-feira 31, a última reunião ministerial com o atual desenho da Esplanada. O encontro marca a desincompatibilização de ministros que vão deixar seus cargos para concorrer a cargos nas eleições, em outubro.

O limite para desincompatibilização dos cargos é até 4 de abril, próximo sábado.

O presidente afirmou que, dos 38 ministros, 14 já confirmaram a saída, e que outros 4 devem fazer o anúncio em breve. Lula não descartou a desincompatibilização de mais nomes. A lista oficial ainda não foi publicada, embora já haja confirmação por parte de alguns quadros.

Durante a reunião, o presidente também confirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) será novamente seu companheiro de chapa nas eleições deste ano. Ele deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

“Isso pra mim é gratificante. Não pensem que fico triste não. Sou muito grato ao serviço que prestaram nesses 3 anos e 4 meses à frente do meu governo”, destacou Lula. “Tenho certeza que farão do trabalho que fizeram no governo, na pasta de vocês, o sucesso da futura campanha de vocês.”

O petista também falou dos desafios colocados aos futuros candidatos para mudar a ‘promiscuidade’ comum à política mundial e brasileira. “A política perdeu muito da seriedade, ainda tem gente muito séria, que faz política com P maiúsculo, mas em muitos casos a política virou negócio, os cargos têm preço muito alto”, avaliou, ao destacar que a mudança ainda se dará pela via institucional, e com o voto dos eleitores para mudarem os atuais quadros políticos.

Quem são os ministros que devem deixar o governo?

• Geraldo Alckmin, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: deixa a pasta para disputar a vice-presidência na chapa de Lula. O substituto encaminhado é Márcio Elias Rosa, atual secretário-executivo do ministério.

• Carlos Fávaro, Agricultura e Pecuária: deve sair para disputar uma vaga no Senado. O nome cotado para assumir é André de Paula, atual ministro da Pesca.

• Silvio Costa Filho, Portos e Aeroportos: vai deixar o cargo para concorrer ao Senado. A tendência é que Tomé França, secretário-executivo da pasta, fique no comando.

• Sônia Guajajara, Povos Indígenas: deixará o ministério para disputar vaga na Câmara dos Deputados. O nome mais citado para a sucessão é Eloy Terena, secretário-executivo da pasta.

• Renan Filho, Transportes: sai do governo para disputar o governo de Alagoas. O substituto encaminhado é George Santoro, secretário-executivo do ministério.

• Rui Costa, Casa Civil: deve deixar o Palácio do Planalto para concorrer ao Senado pela Bahia. A sucessora prevista é Miriam Belchior, atual secretária-executiva da Casa Civil.

• Marina Silva, Meio Ambiente e Mudança do Clima: deixará o cargo para tentar uma vaga no Senado. O mais cotado para assumir é João Paulo Capobianco, secretário-executivo da pasta.

• Fernando Haddad, Fazenda: já deixou o ministério para disputar o governo de São Paulo. O cargo foi assumido por Dario Durigan, que era secretário-executivo da pasta.

• Simone Tebet, Planejamento: deve deixar o Palácio do Planalto para concorrer ao Senado, em São Paulo. O cargo deve ser ocupado pelo secretário especial da Casa Civil, Bruno Moretti.

• Jader Filho, Cidades: deixará o cargo para concorrer como deputado federal pelo Pará. A pasta deve ser assumida pelo secretário-executivo de Cidades, Vladimir Lima.

• Paulo Teixeira, Desenvolvimento Agrário: vai deixar o cargo para disputar as eleições para deputado federal pelo PT em São Paulo. A secretária-executiva da pasta, Fernanda Machiaveli, vai assumir o ministério.

• André de Paula, Pesca: vai assumir o Ministério da Agricultura, em substituição a Carlos Fávaro.

• Camilo Santana, Educação: vai deixar o cargo para possivelmente disputar o governo do Ceará. Será substituído pelo secretário-executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini.

• Márcio França, Desenvolvimento: pode ocupar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, no lugar de Geraldo Alckmin, embora tenha manifestado interesse de disputar o Senado por São Paulo.

• Anielle Franco, Igualdade Racial: vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.

• André Fufuca, Esportes: deve deixar o cargo para viabilizar sua candidatura ao Senado pelo Maranhão.

• Waldez Góes, Integração e Desenvolvimento Regional: vai deixar o cargo para tentar o Senado pelo Amapá; o cargo deve ser ocupado pelo secretário-executivo Valder Moura.

• Macaé Evaristo, Direitos Humanos: deve deixar o cargo para concorrer como deputada estadual em Minas Gerais.

• Gleisi Hoffmann, relações Institucionais: vai deixar o cargo para disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná.

• Sidônio Palmeira, Comunicação Institucional: deve deixar o cargo para se dedicar à estratégia de comunicação da campanha de reeleição do presidente Lula.

Fonte: Carta Capital