Deputada questiona governo do Paraná por casos de estupros em escola cívico-militar - Igo Estrela/Metrópoles

Porto Velho, RO - A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) afirmou ter acionado o Ministério Público do Paraná para investigar a atuação do governo após denúncias de que um militar acusado de abuso sexual contra estudantes continuou trabalhando em uma escola cívico-militar em Cornélio Procópio. A iniciativa ocorre dias após um embate público entre a parlamentar e o apresentador Carlos Roberto Massa, pai do governador Ratinho Júnior.

Em uma publicação no X, a deputada afirmou que o profissional, investigado por estupro de vulnerável, teria sido acusado de abusar de ao menos nove alunas entre 11 e 13 anos. Mesmo após as denúncias, ele permaneceu por cerca de dois anos na unidade escolar.

“Sabem qual foi a medida tomada? O militar, que antes era inspetor, foi transferido para o setor administrativo da mesma escola. Ou seja, um militar, com direito ao porte de arma, acusado de estupro de vulnerável, possivelmente passou a ter acesso aos endereços e imagens das vítimas e de outras meninas”, escreveu Erika.

A deputada criticou a decisão e argumentou que o episódio evidencia problemas no modelo de escolas cívico-militares adotado pelo governo de Ratinho Júnior. Segundo ela, nesse formato, funcionários militares não estariam sujeitos ao controle direto de profissionais da educação ou da comunidade escolar.

“Isso tudo é um acinte ao dever do Estado de proteção integral da criança e do adolescente”, declarou a parlamentar. Hilton afirmou que pediu ao Ministério Público que investigue não apenas as denúncias de abuso, mas também a conduta do governo estadual diante do caso.

Em nota enviada ao Metrópoles, o governo de Ratinho Júnior afirmou que “não vai gastar energia para tratar de tema antigo e já apurado pela Secretaria de Estado da Educação, que culminou com a expulsão do funcionário à época dos fatos”.

“A acusação parte de uma deputada que usou verba parlamentar para pagar maquiadores, gastou R$ 17 mil de recursos públicos do gabinete para pagar seguranças no último mês e votou contra o Projeto de Lei que aumenta o tempo mínimo de pena em regime fechado para condenados por crimes hediondos. Na prática, a deputada é contra endurecer penas para crimes como estupro de vulnerável, homicídio qualificado, latrocínio e feminicídio”, diz nota assinada pelo Secretário da Educação do Estado do Paraná.

Fonte: Metropoles