Estão sendo investigados os crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta


Agentes da Polícia Federal vistoriam documentos apreendidos em operação - Divulgação/PF

Porto Velho, RO - A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (5) a Operação Zona Cinzenta contra a Amprev (Amapá Previdência, gestora do regime próprio de previdência do estado, por investimentos no Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A ação da PF mira o diretor-president da Amprev, Jocildo Silva Lemos, além de dois membros do comitê de investimentos: Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves.

Jocildo assumiu o posto por indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Segundo a corporação, o o objetivo é apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Amapá.

A investigação apura investimentos realizados pela autarquia estadual responsável em letras financeiras emitidas pelo Master.

Policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara de Justiça Federal, no município de Macapá.

Estão sendo investigados os crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta.

Como mostrou a Folha em janeiro, o Ministério Público de pelo menos seis estados investiga aplicações de fundos de previdência estaduais ou municipais em títulos do Banco Master.

No Amapá, a Amprev (Amapá Previdência) direcionou R$ 400 milhões para letras financeiras do banco. O Ministério Público do Estado afirmou, à época, que uma apuração anterior à liquidação do Master verificou a "compatibilidade" das aplicações com a política de investimentos do órgão.

"As novas informações que surgirem, a partir das investigações em andamento, também serão objeto de análise", disse o MP na ocasião. O caso tramita em sigilo.

Também em janeiro, o Governo do Amapá afirmou que a Amprev mantém situação financeira "sólida e segura".

Isso, de acordo com a gestão estadual, garante o pagamento das cerca de 6.000 aposentadorias e pensões sob responsabilidade da autarquia, com equilíbrio projetado até 2059.

"Nesse contexto, o investimento de R$ 400 milhões no Banco Master representa apenas 4,7% do patrimônio total da Amprev, sem qualquer risco à sustentabilidade do regime".

Ainda de acordo com o governo, o fundo obteve autorização judicial para reter valores referentes a empréstimos consignados que seriam repassados ao banco.

Fonte: Folha de São Paulo