Aumento de licenças por transtornos mentais revela desgaste estrutural em setores como saúde, tecnologia e educação - Foto: AFP burnout

Porto Velho, RO - O burnout deixou de ser um tema restrito às conversas internas das empresas e passou a ocupar o debate público sobre o futuro do trabalho. Em diferentes setores, aumentam os afastamentos ligados ao esgotamento profissional, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional.

Não se trata de cansaço pontual. O burnout avança de forma gradual. Primeiro surgem irritação constante, noites mal dormidas e dificuldade de concentração. Depois, a perda de motivação e a sensação de que qualquer tarefa exige esforço desproporcional. Muitas vezes, esses sinais são ignorados até que o desempenho e a saúde mental já estejam comprometidos.

Relatórios recentes de saúde ocupacional apontam crescimento consistente das licenças médicas por transtornos mentais. A incidência é maior em áreas como saúde, educação, tecnologia e atendimento ao público. São setores marcados por pressão constante, metas rígidas e alta exposição emocional.
Burnout e fronteiras apagadas

A expansão do trabalho remoto e híbrido alterou a rotina de milhões de trabalhadores. A promessa de flexibilidade veio acompanhada de disponibilidade permanente.

Reuniões fora do horário, mensagens enviadas à noite e a expectativa de resposta imediata tornaram o descanso fragmentado. Ao mesmo tempo, processos de redução de equipes ampliaram a carga de trabalho para quem permanece.

Esse ambiente favorece a sensação de atraso crônico e insegurança profissional. O burnout, nesse contexto, deixa de ser exceção.

Pressão estrutural no mercado de trabalho

Metas difíceis de alcançar, jornadas imprevisíveis e medo constante de desligamento aparecem com frequência em organizações que registram alto índice de esgotamento.

O adoecimento passa a sinalizar um modelo de gestão que opera no limite. Em vez de episódios isolados, o burnout surge como consequência de padrões repetidos.

Empresas e resposta organizacional

Andre Purri, CEO da HRTech Alymente, avalia que medidas simples podem reduzir o risco de esgotamento. “Incentivar hobbies, projetos voluntários e momentos de conexão fortalece a resiliência mental e o engajamento”, afirma.

Segundo ele, ambientes que combinam autonomia e clareza de metas tendem a preservar desempenho de forma sustentável. Equipes com equilíbrio emocional mantêm capacidade de adaptação mesmo sob pressão.

À medida que o debate avança, o burnout passa a ser interpretado como sinal de alerta sobre a sustentabilidade do trabalho. Para empresas e trabalhadores, o desafio não é apenas manter produtividade, mas garantir condições para que a permanência no mercado não signifique desgaste contínuo.

Fonte: Carta Capital