
Os governadores Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Jr. (PR), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab. Foto: Reprodução redes sociais
Porto Velho, RO - O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou sua saída do União Brasil e a filiação ao PSD, comandado por Gilberto Kassab, em um movimento que reorganiza o campo da centro-direita para a disputa presidencial de 2026. A entrada de Caiado no partido amplia para três o número de governadores que se colocam como presidenciáveis na sigla, ao lado de Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS), e explicita a aposta do PSD em um projeto nacional fora da órbita direta do bolsonarismo.
A decisão de Caiado foi motivada, principalmente, por garantias políticas e eleitorais oferecidas pelo PSD. No acordo costurado com Kassab, o governador recebeu a promessa de que, caso seja escolhido candidato à Presidência, terá acesso integral à estrutura de financiamento eleitoral do partido, além de liberdade para montar sua chapa e costurar alianças regionais sem amarras impostas por federações ou vetos internos.
Outro ponto central foi o modelo de definição da candidatura presidencial. Diferentemente de prévias abertas, Caiado aceitou ingressar no PSD com o compromisso de que a escolha do candidato será feita por um colegiado partidário. Essa banca será formada por Kassab, Jorge Bornhausen, Guilherme Afif Domingos e Andrea Matarazzo. O formato atende ao perfil do partido e evita disputas internas prolongadas.
Nos bastidores, Caiado avalia que entra na disputa interna em condições competitivas. Governador em segundo mandato, ele se apresenta como o mais experiente dos três postulantes do PSD e acredita ter maior capacidade de articulação com partidos médios e pequenos do centro e da centro-direita, o que poderia ampliar seu leque de alianças já no primeiro turno.
Ainda assim, o acordo interno estabelece que Ratinho Júnior, Eduardo Leite e o próprio Caiado seguirão juntos até a definição do nome. O compromisso público é de unidade, ou seja, quem for escolhido contará com o apoio dos demais.
E um segundo turno?
Além da disputa interna, Kassab e os três governadores assumiram o compromisso de apoiar, no segundo turno, o candidato do campo da direita que enfrentar o presidente Lula (PT). Esse entendimento abre, inclusive, a possibilidade de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador avance para a etapa final da eleição presidencial.
A estratégia busca evitar o isolamento político e sinalizar ao eleitorado que, apesar da fragmentação no primeiro turno, haverá convergência contra o PT na fase decisiva da disputa.
O “pós-bolsonarismo”
A movimentação do PSD também está ancorada na ideia de um “pós-bolsonarismo”. O partido trabalha para se consolidar como uma alternativa de centro-direita que dialogue com eleitores conservadores, mas com um discurso menos identificado com a família Bolsonaro. A avaliação interna é de que, ao longo da campanha, as pesquisas tendem a se descolar dos extremos da polarização, abrindo espaço para candidaturas consideradas mais moderadas e com perfil administrativo.
Ao trocar o União Brasil pelo PSD, Caiado passa a integrar esse projeto. Para Kassab, a filiação do governador goiano não apenas fortalece o partido, como também amplia o leque de opções da centro-direita em um cenário ainda fluido para 2026.
Fonte: Carta Capital


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