Porto Velho, RO - Há algo de antigo — quase clássico — na trajetória de Expedito Júnior. Antigo no melhor sentido: a política como vocação, a palavra empenhada como patrimônio e a ideia de que reputação não se improvisa em rede social nem se fabrica em laboratório eleitoral. Em tempos de atalhos, Expedito sempre preferiu o caminho longo. E isso, convenhamos, cobra seu preço.

O enredo das eleições de 2026 em Rondônia e no Brasil parece mais um romance de realismo mágico do que um manual de ciência política. Marcos Rocha derrota Expedito, encerra o segundo mandato e se reelege com o apoio de Hildon Chaves. Até aí, nada que escandalize os velhos raposas do jogo. Mas a política brasileira nunca se contenta com linhas retas.

Hildon, aliado histórico de Expedito. Expedito, pai de Neto. Neto, por sua vez, dá uma volta completa — não 180°, mas 360° — e se abriga no PT de Lula, antagonista simbólico de Jair Bolsonaro. Bolsonaro, curiosamente, mantém laços com grupos que orbitam os mesmos personagens, todos sentados à mesma mesa onde se decide o amanhã. Confuso? Bastante. Revelador? Sem dúvida.

É nesse cenário que Expedito Júnior se destaca não por aderir ao caos, mas por resistir a ele. Enquanto muitos vestem a fantasia do “novo” — como Marcos Rogério, criador de slogans que já nascem cansados — Expedito permanece fiel a uma política que não precisa gritar para existir. Ele entende, como os antigos entendiam, que poder sem propósito é só vaidade com mandato.

O mesmo sistema que aplaude o discurso “antissistema” é o que devora seus próprios filhos quando eles acreditam que podem governar sozinhos. Hildon venceu Léo Moraes, mas foi derrotado pelo próprio mecanismo ao não conseguir fazer um sucessor. Moral da história? O sistema não perdoa ingenuidade — nem arrogância.

E aqui chegamos ao ponto central. Isso ainda é política ou apenas gestão de interesses travestida de ideologia? Existe, de fato, direita e esquerda no Brasil ou são rótulos úteis apenas para inflamar militâncias enquanto, nos bastidores, o Centrão — esse velho conhecido sem alma nem pudor — dita as regras do jogo?

Chamar isso de social-democracia é forçar o dicionário. Social-democracia pressupõe projeto, pacto e compromisso com o bem comum. O que vemos é pragmatismo predatório, onde a democracia vira mero instrumento de acesso ao poder, não um sistema de representação real. Um balcão onde se trocam convicções por conveniências, ideias por cargos, silêncio por sobrevivência.

Nesse teatro, Expedito Júnior surge quase como um personagem fora de época — e justamente por isso necessário. Ele representa a política que acredita em instituições, em partidos como instrumentos (não como disfarces) e na ideia simples, quase esquecida, de que mandato é meio, não fim. Não é perfeito — ninguém é —, mas é coerente. E, hoje, coerência é artigo de luxo.

No fim das contas, não é direita contra esquerda. Nunca foi. É o sistema contra a sociedade, com a ideologia servindo apenas de figurino para o palco eleitoral. E enquanto o espetáculo segue, figuras como Expedito Júnior lembram, com a serenidade dos que já viram muitos ciclos se repetirem, que a política pode até mudar de lado — mas não deveria jamais mudar de caráter.