Exoneração da coordenadora responsável pelo cálculo do PIB causou um novo mal estar entre corpo técnico e a cúpula do órgão

Porto Velho, RO - A gestão de Marcio Pochmann à frente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta um novo desgaste diante das mudanças no setor responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e outros indicadores da economia.

A saída da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, gerou insatisfação entre servidores, que não veem justificativa para a medida e cobram mais transparência nos atos da diretoria. Como mostrou o Metrópoles, outros três servidores da área técnica deixaram cargos em solidariedade à então gestora.

A movimentação ocorre a pouco mais de um mês para a divulgação do resultado do PIB de 2025, marcada para o início de março. A saída da coordenadora se soma a outros episódios de desligamentos envolvendo nomes técnicos da pasta. No ano passado, a direção promoveu mudanças em cargos de confiança do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI).

Ao Metrópoles, a dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (Assibge), Clician do Couto Oliveira aponta uma espécie de arbitrariedade nos desligamentos e falta de transparência sobre as decisões.

Ela também indica que há um desgaste na relação entre a diretoria e servidores.
“A relação com a direção está desgastada. A gente tenta fazer esse debate institucional, mas parece que a atual direção permanece alheia às atribuições legais e ao papel institucional do IBGE”, diz a executiva do sindicato.

Esta não é a primeira crise envolvendo o instituto desde que Pochmann assumiu o cargo. A própria indicação do economista para o posto foi alvo de polêmica em 2023. Na época, ele era tido como um quadro muito alinhado à esquerda.

Ao longo da gestão, decisões do presidente do instituto incomodaram o corpo técnico da instituição. Em 2024, Pochmann sugeriu a criação da Fundação IBGE+, um braço do órgão autorizado a captar recursos públicos e privados para o financiamento de pesquisas.

O sindicato que representa funcionários do IBGE se colocou contra, apontando a possibilidade de que o novo instrumento ferir a autonomia técnica do instituto. No ápice da crise, servidores de diferentes setores do instituto publicaram uma carta em que acusam a gestão Pochmann de “posturas autoritárias e desrespeito ao corpo técnico da casa”.

“A condução do IBGE com viés autoritário, político e midiático pela gestão Pochmann é a verdadeira causa da crise em que se encontra a instituição. Sua gestão ameaça seriamente a missão institucional e os princípios orientadores do IBGE”, diz o documento divulgado em janeiro. Dias depois, o governo voltou atrás e suspendeu a iniciativa.

Antes, a relação entre a direção e os trabalhadores já estava deteriorada por conta da decisão da chefia de determinar retorno ao trabalho presencial para os funcionários que estavam de home office desde a pandemia.

Fonte: Metropoles