Porto Velho ferve não de calor, isso é rotina — mas de insegurança política. Nos bastidores da Assembleia Legislativa de Rondônia, a palavra mais ouvida não é “projeto”, nem “ideologia”. É partido. Ou melhor: em qual partido dá para sobreviver em 2026.

Com a redução do número de legendas aptas a disputar as eleições, o cenário virou um funil estreito. Poucos partidos, muitos candidatos e uma disputa que promete ser uma das mais duras da história recente da política rondoniense.

Apenas 12 partidos viáveis em 2026

Hoje, o desenho realista aponta para apenas 12 partidos ou federações com musculatura jurídica e eleitoral para entrar no jogo em Rondônia:

Podemos
MDB
PL
PSD
PRTB
Federação União Brasil / Progressistas
Federação PT / PV / PCdoB
PRD
Avante
Republicanos
Novo

Com isso, a matemática é cruel: cerca de 280 candidatos disputando apenas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa. Em outras palavras, tem mais candidato do que cadeira — e mais voto do que vaga.

Onde colocar tantos “pesos pesados”?

O drama está na montagem das nominatas. Onde encaixar nomes de grande densidade eleitoral sem transformar o partido numa armadilha coletiva?

Entre os principais deputados estaduais em busca de espaço estão:

Laerte Gomes (PSD) – 25.603 votos (2,94%)
Ieda Chaves (União Brasil) – 24.667 votos (2,83%)
Ismael Crispin (MDB) – 24.667 votos (2,83%)
Cirone Deiró (União Brasil) – 23.417 votos (2,69%)
Alex Redano (Republicanos) – 20.895 votos (2,40%)
Marcelo Cruz (PRTB) – 19.549 votos (2,24%)
Dr. Luiz do Hospital (MDB) – 18.798 votos (2,16%)
Cássio Gois (PSD) – 18.248 votos (2,09%)
Jean Oliveira (MDB) – 17.753 votos (2,04%)
Luizinho Goebel (Podemos) – 14.298 votos (1,64%)
Jean Mendonça (PL) – 14.162 votos (1,62%)
Rosângela Donadon (União Brasil) – 12.097 votos (1,39%)
Edevaldo Neves (PRD) – 8.565 votos (0,98%)

Colocar vários desses nomes na mesma legenda significa, na prática, criar uma chapa suicida. Quem entrar sabendo que ali já estão três ou quatro “puxadores” entende o recado: será escadinha. E escada não sobe sozinha.

Portas fechadas e recados diretos

Para piorar o quadro, alguns partidos já avisaram que não querem deputados estaduais com mandato. Podemos e Avante, por exemplo, têm sinalizado resistência clara. Preferem montar chapas novas, menos “inchadas” e com controle interno maior.

Resultado? Pelo menos 14 deputados estaduais devem acabar empurrados para as chamadas “nominatas da morte” — aquelas chapas com voto demais, candidato demais e cadeira de menos.

Política sem romantismo

A eleição de 2026, em Rondônia, não será para amadores. Não haverá espaço para vaidade, erro de cálculo ou aposta sentimental. A escolha do partido pode valer mais do que a campanha inteira.

No fim, a lógica é antiga, quase bíblica — e nada poética: quem errar o endereço partidário, pode bater na porta certa… e ficar do lado de fora. Na política, como na vida, nem sempre vence quem tem mais votos. Vence quem escolhe melhor o terreno onde vai lutar.