Porto Velho, RO - Nos bastidores do Palácio, longe das câmeras e dos discursos ensaiados, cresce o debate sobre a blindagem política que cerca o governador Marcos Rocha, filiado ao União Brasil. O tema é recorrente entre lideranças políticas, servidores e observadores atentos da cena estadual: quem controla o acesso, controla o poder.

O que é a blindagem política?

Blindagem política é o conjunto de estratégias usadas por assessores e aliados para filtrar informações, pessoas e agendas, mantendo o chefe do Executivo distante de vozes externas ao chamado “grupo”. Em tese, trata-se de proteção institucional. Na prática, segundo críticas que circulam nos corredores do poder, o mecanismo pode se transformar em isolamento estratégico.

Nada de novo sob o sol: desde os tempos do Império, quem cerca o governante decide o que chega aos seus ouvidos.

Um governador sensível, um grupo fortalecido

É público e notório — e não dito em tom de ataque, mas de constatação — que o governador é um homem sensível, profundamente afetado por determinados temas políticos e pessoais. Quando pressionado por assuntos delicados, tende ao recolhimento.
Esse isolamento, longe de ser neutro, beneficia diretamente o grupo que o cerca.

Esse núcleo de poder é formado, majoritariamente, por:

  • deputados estaduais aliados

  • secretários de Estado

  • assessores diretos e articuladores políticos

Enquanto o governador se afasta, as decisões seguem sendo tomadas, as articulações continuam e o controle permanece firme nas mesmas mãos.

Controle da narrativa e das articulações

Ao restringir o contato do governador com pessoas “fora do grupo”, cria-se um ambiente político fechado, onde:

  • críticas não chegam

  • alertas são suavizados

  • alternativas são descartadas antes mesmo de serem ouvidas

O resultado é uma gestão que pode parecer estável por fora, mas que, por dentro, corre o risco de perder o pulso da realidade política e social.

Na política tradicional — aquela que respeita o rito, o diálogo e o contraditório — governar é ouvir. Quando ouvir se torna exceção, governar vira delegar.

O risco do isolamento no poder

A história ensina, com a paciência dos livros antigos, que todo governante isolado governa menos do que imagina. A blindagem excessiva não protege; ela fragiliza.
Fragiliza o líder, empodera intermediários e cria um vácuo entre o governo e a sociedade.

Não se trata de acusação formal, mas de um alerta político: quando poucos controlam o acesso a muitos, o poder deixa de ser institucional e passa a ser pessoal.

Considerações finais

A blindagem em torno do governador Marcos Rocha é hoje um dos temas mais comentados nos bastidores da política estadual. Se é proteção ou controle, o tempo dirá.
Mas como ensina a boa política, aquela feita à moda antiga: governante forte é governante acessível.

E, no fim das contas, nenhum grupo é maior que o cargo — nem deveria ser.

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