
Porto Velho, RO - O Banco Central determinou ao BRB (Banco de Brasília) que faça um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master.
Essas carteiras, sem lastro em operações reais, foram descobertas nas investigações que levaram à liquidação do Master e à prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, no dia 17 de novembro do ano passado, na primeira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
As investigações do Ministério Público Federal, com base em denúncia feita pelo Banco Central, apontaram que o Master adquiriu carteiras de crédito da consultoria Tirreno, sem realizar qualquer pagamento, e logo em seguida, os papéis foram vendidos ao BRB. O banco público pagou R$ 12,2 bilhões por elas.
A exigência da provisão no balanço do BRB foi feita pelo BC por meio de um documento chamado de termo de comparecimento, encaminhado ao banco do governo do Distrito Federal no dia 7 de janeiro, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela Folha sob a condição de anonimato.
Até a data da liquidação do Master, o BRB já tinha recuperado cerca de R$ 10 bilhões dos 12,2 bilhões. Essa recuperação foi feita por meio de transferência de ativos feitas pelo Master para cobrir as carteiras fraudulentas, faltando ainda R$ 2,6 bilhões a serem cobertos. É para dar conta dessa perda que o BC está exigindo o provisionamento.
O BRB ainda está avaliando a qualidade dos ativos que foram repassados pelo Master para calcular a necessidade de aporte adicional a fim de evitar o desenquadramento do banco das regras de capital, que exigem limites mínimos de patrimônio (o chamado índice de Basileia).
A depender do valor a ser provisionado, o controlador do banco, o governo do Distrito Federal, terá de fazer um aporte de capital com base num plano a ser apresentado ao BC. O patrimônio de referência do BRB é hoje de cerca de R$ 6,5 bilhões.
O BRB ainda está analisando o tamanho do aporte que será necessário, depois de uma auditoria externa que está sendo feita após a saída de Paulo Henrique Costa, que foi afastado do cargo após a operação Compliance Zero e está sendo investigado pela PF.
O banco tem R$ 80 bilhões de ativos e R$ 30 bilhões em depósitos judiciais. O novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, já conversou com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre o pedido de provisionamento. Após assumir o cargo em 27 de novembro, Souza já fez uma operação de saneamento na diretoria do BRB no Conselho de Administração.
Procurado pela reportagem, o BRB informou que trabalha diariamente em conjunto com o BC e que está em curso investigação forense independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll.
"A instituição reforça seu compromisso com a transparência, a governança e o cumprimento das normas do sistema financeiro, colaborando integralmente com as autoridades competentes", diz a nota encaminhada à reportagem.
Segundo o BRB, os possíveis prejuízos ligados à compra de carteiras do Master ainda estão em apuração pelo Banco Central e pela auditoria independente.
"Caso sejam confirmados, o BRB informa que já possui plano de capital que prevê aporte através de vários instrumentos de recomposição de capital".
"O BRB reafirma que segue sólido, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, operando normalmente e assegurando todos os serviços financeiros".
OPÇÕES PARA APORTE
Até agora, são cinco as opções para cobrir as perdas: repasse direto do Tesouro do DF e dos minoritários, formação de um fundo com imóveis de propriedade do governo do DF a serem transferidos para o BRB, uma linha de financiamento do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), repasse de ações de empresas estatais e um empréstimo de um consórcio de bancos.
A primeira opção com que trabalham os executivos do BRB é um empréstimo do FGC.
A interlocutores, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), tem dito que o governo está preparado para fazer o aporte, mas não há ainda o valor que seria necessário.
Nos últimos dias, o banco tem enviado mensagens a correntistas com os dizeres: "Seguimos firmes, seguimos fortes, seguimos com você".
Fonte: Folha de São Paulo


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