
Justiça Eleitoral aplica punições em Vilhena e Rolim de Moura após comprovação de candidaturas fictícias nas últimas eleições
Porto Velho, RO - Em uma decisão histórica, o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) cassou os diplomas de dois vereadores eleitos nas últimas eleições, após reconhecer fraude na cota de gênero. As cassações afetam os municípios de Vilhena e Rolim de Moura, sendo a primeira vez em que o tribunal reconhece fraudes nesse contexto.
O Ministério Público Eleitoral informou que as candidatas que integraram as chapas não realizaram campanhas, não receberam votos e não movimentaram recursos, configurando candidaturas fictícias para apenas cumprir a exigência legal de participação feminina. A Justiça Eleitoral, ao considerar essas candidaturas irregulares, aplicou as punições cabíveis.
Em Vilhena, o vereador Gabriel Afonso Graebin teve o diploma cassado. Com 19 anos, ele foi um dos mais jovens eleitos no estado, com 619 votos. Graebin vem de uma família com longa trajetória política: seu pai, Vanderlei Graebin, e seu tio têm acumulados 38 anos de mandatos. O pai de Gabriel também teve seu mandato extinto por falsidade ideológica.
Além disso, a candidata Odinéia Gomes Pereira, registrada como “Néia Gomes”, foi declarada inelegível por oito anos, já que não obteve nenhum voto e sua candidatura foi considerada fictícia.
Em Rolim de Moura, a candidata Ane Karoline dos Santos Soares admitiu não ter feito campanha e obteve apenas dois votos. Ela também foi declarada inelegível por oito anos. Outras duas candidaturas irregulares, de Ana Caroline Cardoso de Azevedo e Lucilene Dias, ambas do Podemos, levaram à cassação do vereador Marcelo Henrique Belgamazzi. As candidaturas foram caracterizadas pela votação irrisória, ausência de campanha e falta de movimentação financeira.
Reações dos vereadores
O vereador Marcelo Henrique Belgamazzi, do Podemos, criticou a decisão, alegando que está sendo punido por um erro do partido e afirmou que a Justiça Eleitoral “afasta mulheres da política”. Já Gabriel Graebin, apesar da cassação, segue participando das sessões da Câmara de Vilhena, pois ainda pode recorrer da decisão. Ele não respondeu às tentativas de contato da imprensa.
O presidente do Podemos em Rolim de Moura, Júnior Banck, informou que o partido aguardará o fim dos recursos para se manifestar. Ana Caroline Azevedo, por sua vez, alegou que não agiu com má-fé e que seguiu todas as formalidades ao desistir de sua candidatura.
O Partido Renovador Democrático (PRD) e o Partido da Mulher Brasileira não se pronunciaram sobre os casos.


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