Contenção foi ampliada para acomodar o crescimento dos gastos com Previdência e assistência social; Defesa, Cidades e Educação estão entre as áreas mais afetadas


O presidente Lula (PT) e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Foto: Evaristo Sá/AFP

Porto Velho, RO - O governo Lula (PT) detalhou, em decreto publicado na sexta-feira 29, como será distribuído o bloqueio de 23,7 bilhões de reais no Orçamento de 2026, medida adotada para cumprir as regras do arcabouço fiscal. Além dos ministérios, a contenção alcançou cerca de 4,9 bilhões de reais em emendas parlamentares de bancada, tornando-se uma das maiores restrições orçamentárias do ano.

O valor total resulta da soma de um bloqueio inicial anunciado anteriormente e de uma nova contenção de 22,1 bilhões de reais. Entre os órgãos mais afetados estão os ministérios da Defesa, das Cidades e da Educação, além de áreas como Transportes, Fazenda, Saúde e Integração e Desenvolvimento Regional. As despesas discricionárias concentraram a maior parte da restrição de recursos.

Eis o ranking: 

  • Emendas parlamentares – 4,9 bilhões de reais;
  • Defesa – 4,363 bilhões;
  • Cidades – 3,320 bilhões;
  • Educação – 1,605 bilhão;
  • Transportes – 1,5 bilhão;
  • Fazenda – 1,396 bilhão
  • Saúde – 1 bilhão.

A decisão foi motivada pela revisão das projeções para os gastos obrigatórios da União. Segundo as estimativas do governo, houve aumento relevante das despesas com benefícios previdenciários e com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Como esses gastos têm caráter obrigatório, a equipe econômica precisou reduzir o espaço destinado a investimentos, custeio e emendas para evitar o descumprimento dos limites fiscais.

O bloqueio está ligado ao funcionamento do arcabouço fiscal, regra aprovada em 2023 que limita o crescimento das despesas federais. Mesmo com melhora em algumas receitas, o governo não pode ampliar os gastos além dos parâmetros definidos pela legislação. Por isso, quando as despesas obrigatórias crescem acima do previsto, a alternativa é restringir temporariamente parte dos recursos destinados a outras finalidades.

O decreto estabelece quanto cada ministério deverá contribuir para o ajuste, mas a definição dos programas e ações que efetivamente sofrerão cortes ficará a cargo das próprias pastas nas próximas semanas. O governo também manteve o chamado “faseamento” das despesas, mecanismo que libera recursos gradualmente ao longo do ano e funciona como uma reserva de segurança caso seja necessário ampliar a contenção fiscal nos próximos meses.

Fonte: Carta Capital